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Blogs, Banners e Outros


Uma pausa na poesia para uma declaração (quase) Metafísica.


Dia desses, na lassidão do calor terrível que se abate sobre São Paulo, estava na biblioteca cumprindo o meu ritual cotidiano: ler. No caso, a excelente biografia de Machado de Assis (Machado de Assis, um gênio brasileiro), por Daniel Piza; suava em cântaros quando sofri uma crise de ausência que durou horas seguidas. Ana, minha bela Ana, primeira-leitora (cargo exclusivo e intransferível que temos aqui em casa), disse-me que foi terrível: sete ou oito horas, durante as quais me debrucei sobre uma resma de papel, escrevendo febrilmente, rasgando, amassando, corrigindo, grunhindo, gritando, xingando, quebrando canetas, arremessando lápis, balbuciando, voltando a escrever com uma ira como aquela só encontrável em Aquiles!

 

Não, não vos preocupeis, amados leitores! Não foi uma crise hidrófoba sobre acontecimentos políticos recentes no país (seria justificável); não foi sequer uma influência machadiana e suas crises epilépticas; em sequer um surto de criação poética incontrolável (a tal “noite triunphal” de Pessoa). Nada disso. Eu fui... Mas como dizer isso? Como confessá-lo sem ruborizar as castas moças que lêem estas páginas? Eu fui...

 

Eu fui possuído (epa!) pelo espírito de um poeta! Não sei explicar o processo todo: num momento estava eu lendo e no outro – PIMBA! febril, escrevendo, chafurdando-me em palavras! Escutava uma voz roufenha que ditava o que deveria ser transposto ao papel. Logo eu, que não acredito em psicografia e outras coisas ditas espíritas; logo eu, que sempre considerei, tendo em vista a minha experiência de leitor, que a morte faz muito mal ao Estilo. Basta fazer, leitor amado, um teste, para comprovar esta minha última afirmação: leia Victor Hugo, por exemplo (quando vivo, pois não?); depois leia-o em qualquer obra psicografada atribuída ao seu, dele, espírito – compreenderás o que quero dizer. Ou a morte do corpo corresponde à do Estilo; ou a morte, em suas esferas celestiais (ou do limbo) e seus países e planetas, emburrece. Li, certa vez, um assim chamado romance de Zíbia Gasparzinho – e só não matei o autor (um tal de Lucius) por me parecer metafisicamente impossível matar quem já está morto. Mas desvio-me, desvio-me. Voltemos.

 

Resta-me na memória apenas alguns flashes desta possessão (ui!): sentia como se longos bigodes crescessem em minha face (onde mais?) e que os cabelos, fartos, rareavam pouco a pouco, deixando um início de calva; via-me nu em capa de revista, sentado de pernas cruzadas, em preto-e-branco, numa magreza assimétrica que remetia à imagem dum velho hindu (apenas havia uma barriga pronunciada, desarmoniosa); de repente, estava sentado num bar, entupindo-me de vodka (ou cachaça, não sei bem), escrevendo em guardanapos; mais um pouco e lá estava eu, metido num quimono, faixa preta à cintura... Enquanto essas imagens – lembranças do espírito que me possuíra (hm, sei, sei) – corriam frente aos meus olhos, escutava, além da voz que ditava aquilo que seria “a minha grande obra, o poema jamais escrito em língua portuguesa, o que me fará o poeta marginal por excelência da Terra e de todos os planos espirituais” (palavras literais), sons terrificantes, assombrosos, horríveis: algo como (impossível lembrar sem tremer e sem sentir a angústia de novo) “as asas, casas, fosses fósseis/foram passas assim/as asas”, “cinco jogando bola,/mais cinco estudando sânscrito,/seis carregando pedra,/nove namorando a vizinha”, “um salto de sapo/jamais abolirá/o velho poço”. — Mas chega! o leitor não merece este tormento! É terrível por demais – e um exemplo do sofrimento que nos aguarda! Pobre poeta atormentado, que precisou do meu corpo (ai!) para pode compor sua máxima obra!

 

Foram horas e horas neste tormento. Horas de correções e papéis desperdiçados. mas enfim – Enfim! A Grande Obra do Poeta estava pronta! E a transcrevo a seguir para exemplo aos céticos e ensinança dos grandes de como é possível esta transubstanciação metafísica em um poema.

 

Soneto

 

Filhos?

Não quero.

 

Só netos.

 

(Pelo espírito de Paulo Leminski)

 

[PS: Espero que não vire moda, esse negócio. Se Haroldo de Campos se aproximar querendo escrever a continuação das Galáxias, sou capaz de ir a uma sessão de descarrego na Renascer!]



Escrito por Fabio às 12h47 PM.

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Chove


Chove...

                        Chove...

 

Tamborilar íntimo na noite fria

reflexo ausente da luz sombria

 

                                               Chove

 

como retorno à cadência vaga

como espelho de sombra velada

 

Chove...

                        Chove...

 

lamento túrgido da elegia que míngua

véu reduzido da vela que finda

 

                                               Chove

 

sem inundar as várzeas e as vestes

sem se alastrar, torrente breve

 

Chove...

                        Chove...

 

e a noite se perfaz e cala

no som contrito da soturna vala

 

Chove...

                        Chove...

                                               Chove...



Escrito por Fabio às 12h25 PM.

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Urubus


Apesar do título, esta não é uma crônica política. Poderia ser, na medida em que encontramos, nestas semanas pré-primeiro-turno, aves de rapina carniceiras, famintas por nacos de pútrida carcaça, desejosas em refastelar-se nas sobras dos adversários ou – o pior – na mesa do banquete principal, estendida no Palácio do Planalto. Os urubus, estes seres perversos criados pela mãe-natureza com um fim cujo significado não alcanço, são, para mim, o símbolo perene dos últimos quatro anos.

 

Em sua companhia estão, o mais das vezes, outras espécies também indignas e feiosas: hienas de todos os formatos e tamanhos, digladiando-se na tentativa de, por sua vez, roubar um naco, roer um osso, lamber uma sobra; mordem-se, em muitas ocasiões, sem atentar se a vítima é ou não da própria família: ferem filhos, mães, netos, pais, rosnam uns para os outros, cegos pelo alimento indigno. Querem apenas o pedaço que lhes sustente até a próxima refeição – ou a próxima eleição, o que dá no mesmo.

 

Pois que assistimos, às vésperas do banquete, a disputa pelos melhores lugares, próximos à porta da cozinha de onde sairão os garçons com as bandejas de delícias estragadas: um Pernil à la Education, ou um Flambè à la Ferme, ou ainda um delicioso Corruption de l’Idéologie Officielle, todos preparados pela mão de mestre-cozinheiro dos urubus e seus convidados, as hienas (imaginemos que ele se chame... Lorenzetti, quiçá?). Consigo vê-los, sentados em ordem hierárquica, guardanapos amarrados ao pescoço, bicos e focinhos abertos, a saliva ácida escorrendo... Aguardando, aguardando, aguardando...

 

Aguardando Domingo, o dia da refeição, do refastelar-se, do chafurda-se em sangue e molhos condimentados ocres e fétidos como faziam os nossos antepassados na decadência romana. Posso ouvi-los daqui: suas gargalhadas ébrias, as vozes roucas, a dicção atrapalhada pelo volátil do álcool servido por anos; posso ouvir em alto e bom tom o seu chefe berrando palavrões e confortável em sua douta ignorantia... Ah! Estes urubus e estas hienas, estes seres aparentemente indignos da Criação! Mas sabeis, leitor, o quanto são úteis para a Democracia desta selva!

 

Pois, não fossem eles, não fosse a sua insídia, não fosse o seu espírito podre (diga-me o que comes e eu te direi quem és, parodiando o ditado), não fosse a sua essência mais vil que a da primeira víbora, de nada, nada saberíamos: continuaríamos acreditando que aquele urubu continuaria a ser um belo e límpido colibri de flor em flor; teimaríamos  em ver naquela hiena de longo rosto eqüino, capaz das maiores promessas, apenas um belo potro de raça, fogoso em desvendar as verdades. Sim, meus amados leitores destas crônicas – Sim! São úteis para a Democracia os seres mais baixos e abjetos; a maior das porcarias que cometem em nome da verdade apenas revelam que pretendem dominar o banquete que virá...

 

Mas, oh! Decepção deste escrevinhador! Acabei por fazer uma crônica política, quando queria, apenas, falar sobre os urubus que sobrevoam a Av. Paulista e que vejo de minha janela, todos os dias.

 

Também – malditos bichos! Quem manda serem tão parecidos com os políticos do PT e seus aliados?

Escrito por Fabio às 04h02 PM.

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Fígado


Sempre alimentei memórias. Não que me considere velho o suficiente, nem mesmo com pretensões de ditar esta ou aquela lição de moral. Ainda que esteja no auge dos meus trint’oito anos, produzindo parcamente e lendo feito desvairado (como amando os livros neurastenicamente e devendo aos tubos para o mundo inteiro mais Plutão, já-não-existente, pobrezinho), considero-me um adolescente, daquele de Dostoievski, um tanto ingênuo e alheio ao que lhe envolve. Melhor: não sou o adolescente, nem mesmo Míchkin. Não sou ora um existencialista tolo (doença que abandonei há tempos) nem um ser que pretende ver o só-bom dos outros e deste mesmo mundo. Estou mais para um belo parágrafo, do mesmo Fiódor: “Sou um homem doente... Um homem mau. Creio que sofro do fígado. Aliás, não entendo níquel da minha doença e não sei, ao certo, do que estou sofrendo”.

 

Não, não sei do que sofro. Toda manhã (as minhas manhãs começam ao meio-dia), leio e releio os jornais. Visito os blogs. Passeio pelas páginas da net. Tento ler aqueles nos quais não acredito mais e – leio! os que ainda me dão, parcamente, uma razão para continuar a existir. Os primeiros servem para corroer meu fígado, o fígado doente que tenho, e alimentar a bile negra necessária à minha existência (gosto do gosto de fel que Betto, ex-frei, e Zé, ainda incomPTente, mais Fidéis e calhordas, LuLLas inclusos, oferecem –  o gosto de ser, finalmente contra e contrário a isso que está aí. Um alívio, orgástico, tremendo, que me faz pensar: ARRE! afinal não sou um imbecil!); os segundos...

 

Os segundos soam como a Cavalaria Vermelha de Babel. Sei que não são/estão assim tanto na oposição. Votam no Alckmin e em Serra apenas por falta de opção. Geraldo e José, este o dilema em que vivemos: à esquerda, mas menos do que gostaria (gostaríamos). São oposição apenas no limite do poder. Depois: é o que d’antes será. No antigo quartel d’Abrantes ou coisa que o valha. Eles, os segundos, distantes, nas pesquisas, dizem pouco, ou nada. E o fígado padece.

 

E nem me venham com opções, leitores: Heloísa é pior que LuLLa, ou uma Lulla antiquada e de saias, sofrendo de tê-pê-emes seculares e feministas (continuam imbecis, as feministas); Cristóvam Buarque apenas tem em comum o sobrenome de Chico – assim como o apoio à canalha arrogante que vê em pobre a salvação da pátria. Mas, sabemos: pobre que é pobre quer ficar é rico – e essa esquerda, tucana ou lullista, não tem como fazê-lo. Alimentam-se dos ditos. Pobre é a fornalha das eleições.

 

Sofro do fígado, já disse. E ele, meu fígado, não vê saída. A nós, que somos contrários à mazela espúria dessa semi-demência, chamada democracia, chamam-nos “lacerdiatas” e “golpistas”. Meia-oito, meus filhos, já passou (Graças dadas!)... Colhemos, apenas, os frutos da sua, de 68, barbárie. Não há um, sequer, que apresente soluções para o que vivemos: LuLLa é filho dessa mãe, gentilíssima; Alckmin, o deste solo; Heloísa, da pátria-amada; Cristóvam, o do Brasil entregue.

 

No auge da minha doença, depois de todos os exames de sanidade, dizem: não há o que fazer. Duas saídas: aeroporto ou alheamento. Ambos me apetecem.



Escrito por Fabio às 11h33 PM.

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Marcha à Ré - ou: Censura, zifio!


O Brasil é mesmo um paradoxo. Por um lado, há a festifidade dos tolos com o LuLLa pronto para levar a eleição no primeiro turno; por outro, o silêncio abissal dos outros – e exatamente daqueles que, por anos, levantaram a tal bandeira contra a dita-dura dos gorilas fardados. De um e outro lado, a basbaque, o deslumbramento com o poder. Aliás, a briga pelo poder se tornou tão esquizofrênica que – mas vale um parágrafo, o assunto.

 

A briga pelo poder é esquizofrênica. Sempre vi gerentes de banco se arrogando poderes sobre seus funcionários ou qualquer capiau com cargo de chefia pronto para humilhar. Isso até que engulo – são, no mais das vezes, uns tolos que se sentem superiores porque podem mandar em meia-dúzia de outros capiaus como eles. Enfim, surpresa nenhuma. Mas aqui no prédio onde moro, por exemplo, há uma turminha do Pê Tê que faz que faz para dar um golpe no síndico. Tratamento de choque e camisa-de-força me parece o mais adequado no caso. Sem contar que este prédio tem sido muito mal-freqüentado: os petralhas (como os chama Reinaldo Azevedo) recebem a ilustre visita de Zé Dirceu, aquele mesmo, stalinista... Preciso mudar. De país de preferência.

 

O pior é que esta disputa se revela em sua face mais cruel e terrificante. Não bastassem as ações de dominação – agora usam do recurso que combatiam, vinte-e-tantos anos passados: a Censura. Sentem-se no direito de reclamar de qualquer notícia, qualquer crítica feita. Aconteceu, acontece, com José Sarney, aquele que foi presidente da democratização, lembram?, que conseguiu tirar do ar o blog da jornalista amapaense Alcinéa Cavalcante por colocar uma foto de um protesto público em um muro. O tal “Xô Sarney” já conhecido dos meus sensíveis leitores.

 

Agora é a juíza Ana Paula Theodosio de Carvalho, de São José dos Campos, que resolve colocar a sua insigne posição – pública, notemos –, para tirar do ar o Blog Imprensa Marrom, acusado de, nos comentários de um leitor, ter sido ofensivo a um certo João Pedro Boria Caiado de Castro – que, confesso, não faço idéia de quem seja e nem faço questão. Parece-me que não precisaremos esperar muito tempo para o retorno à malfadada dita-dura, em versão duríssima.

 

Não, não precisaremos esperar nem um dia mais a lei sobre a imprensa que o Efelentíssimo Ignorácio LuLLa da Silva pretende emplacar para controlar as críticas sobre Sua Insolência e canalha que o acompanha. Não, não será necessário aguardar a tal “imprensa livre” que o PT pretende implantar no Brasil com financiamento público. Não será preciso aguardar um Comitê de Censura Prévia composto por ilustres representantes de nossa intelectualidade (Gilberto Gil, quem sabe; Chico Buarque poderá adentrar nesse rol; Marilena Chauí chefiará o Comitê, claro; mais alguns pobres imbecilizados do meio artístico e acadêmico farão as honras da defesa da democracia petista). Nada disso ocorrerá nos próximos anos: acontece agora, neste instante. Acontece graças ao uso canalha de poderes que, ao invés de serem utilizados para o bem público, o são para usofruto do próprio ego inflado. Acontece pelo simples fato de que o país, este mesmo Brasil sempre-do-futuro, não tem coragem de olhar para trás e ter um mínimo de consciência histórica.

 

Acontece não porque os políticos sejam calhordas, ou os juízes – mas porquê, nós, eleitores, o somos. Por que nós, cidadão brasileiros, agimos como mulher de malandro e, a cada atitude arbitrária, a cada ação autoritária, sorrimos e dizemos: bate, bem, bate mais forte!



Escrito por Fabio às 04h09 PM.

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Pantagruéis


 

A cortina se fecha. Espetáculo findo. As recentes pesquisas me abismam, deixam-me com um gosto ocre na boca, o cérebro perdido entre dados que nada me dizem ou dizem demais dessa espécie suburbana que se tornou o Brasil: uma tola comédia de costumes na qual o povo se espelha na corrupção dos parlamentares. Faço parte da comédia, infelizmente: tenho ganas de sucumbir ao discurso do Voto Nulo, como se resolvesse algo. Mas, consciente, sei que não resolve, apenas corrobora o desejo de Poder de LuLLa e asseclas, quando repetem, com insistência, que o Congresso está corrompido. Não votar para Deputados é assinar sob o Xis de LuLLa – e justificar o golpe vindouro.

Sim, estaremos sob uma nova cuba e, a considerar as dimensões brasileiras, um cubão. LuLLa, eleito, não nos deixará exercer o menor direito de opinião. Vide os seus aliados, Sarney principalmente, que, a golpes de punho, inibe e proíbe quaisquer manifestações contrárias à sua candidatura: jornais, reportagens, blogs (blogs, meu Deus!) censurados com total corroboração do TSE. Finda a época, tão curta, de democracia. Morremos.

Ou estamos mortos há tempos? Creio que nossa morte, para a qual colaborei ainda que timidamente, estava marcada desde a fundação do pê-tê-saudações e camarilha. Inda lembro quando, jovencito de tudo, acreditava no mito Guevara & Castro; e Mao parecia solução; e Lênin um líder do povo. Hoje não posso mais. Escrevi isso aqui, já: envelheci, e envelhecer é bom às vezes: tornamo-nos mais conscientes quando nos libertamos dos discursos trôpegos da esquerdalha, coisa de esquerda canalha. Fui, um dia, cria disso – já não sou, e tento, com custo, não cair na extrema oposta. Quase impossível. A Ira por vezes é saudável. Ser contra o LuLLa me deixa são e me torna íntimo da lógica que sempre procurei por uma vida, aos trancos e barrancos – e não cedo um milímetro sequer à sedução deste assistencialismo hipócrita e mambembe feito para idiotas. Ser contra é o elogio, hoje, da inteligência. Ser a favor do que aí está é reconhecer-se como idiota. O Brasil é feito por idiotas. Que tenhamos cotas para os tais, já que a minoria verdadeira, que pensa por si, não terá espaço algum.

Sim, para idiotas. Quem vota no LuLLa e nos Crivellas & Heolísas Helenas são os idiotas. Todos, sem exceção. Compactuam ora com a corrupção (logo são essencialmente corruptos), ora com o desejo de um povo eleito miseravelmente (e são, assim, fascistóides e egoístas), ora com o idílico sonho de uma igualdade irrealizável e dominadora (e são adeptos da pior espécie de ditadura). Qualquer hipótese é cruel. E o leitor não me venha com o tal “sonho democrático” como se defendesse a igualdade entre os homens – isso não existe. Somos, Graças a Deus, diferentes – mais uma vez: essencialmente. E quem provar o contrário ganha uma passagem para Cuba, com direito a viver como povo, cortando cana, sob o regime dos últimos dias (UFA!) de Fidel.

Gostaria de comparar Lulla, e seus eleitores, com Quixotes, mas é impossível. Quixote pelo menos lia, coisa que a esquerda não faz – apenas repete o “que ouviu dizer” e assina embaixo sem pensar. Nem sequer poderia comparar a Sancho Pança, um pobre idiotizado que busca a solução para si mesmo, sonhando em governar uma ilha qualquer e depois é expulso. Os tais estão mais para Pantagruéis, gulosos e beberrões, alheios do mundo a si subordinado, peidando e arrotando vantagens. Quem não leu Gargântua e Pantagruel, crítica feroz ao regime autoritário, supostamente “esclarecido”, da Renascença, não vai entender. Tudo bem: petista não entende nada mesmo – ainda mais quando a comparação é literária.



Escrito por Fabio às 09h48 PM.

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Mas esta Lua, este conhaque, botam a gente comovido como o diabo.


(A partir de Drummond & mais)

 

Assim: nada contra a lua. Ela, esfera intensa no céu sombrio de São Paulo (choverá hoje, quem sabe) nada tem a-ver com o intuito deste texto. Mantém-se. Apenas as órbitas e circunlóquios que se desprendem da memória. Agostinho, o Santo, diz-que: passado & futuro encontram-se, assim sem-mais, na revelação do hoje e o do-agora. Suspendo, íntimo. Quem sabe saberia dos mistérios mas não: tudo ou nada me arrebatam; então:

 

comovido não estou nunca nem sempre. Sou, nada, em lugar-nenhum. Abstenho-me, quem-sabe: as coisas mexem c’o íntegro e c’o q’em parece. Ele é rarefeito, assim-assim última chama de desejos incertos. O que resta o incenso da canalha. Ainda o véu cristalino das folhas e palavras que teimam.

 

Mas o diabo, o demo, o coxo, o Esquerdo – esse É o Que-Manda. Se faz-que-não-Faz e domina o istmo do nada. Quem faz que sabe, não-sabe e basta-se. Tolerância. Totem tolo, imago soturno. Foi, não-foi – É. Danamo-nos todos, tolos. Está à solta, o Dito. Somamos.

 

Mas somos tampoucos, ínfimos e semidéias. Somos o que nunca somamos – aoléu abandono, bonançosos. Neñu’a descoberta: apenas o vazio dos vasos e as coisas que deixam de ser o que são. O diabolo

 

, o coxo me diz (dix), que o que-fala é toleima e se faz como tudo-nada nunca foi. Queria ser-que, mas não – o desejo de libertas (sem quae-sera-tamem) resta-me sem tanto. Deixei-de: molúsculos e músculos e discursos. & promessas várias & temas & misérias. & terras, sem mares, navegados como prévias sonâmbulas. Deixei & deixo & me descaro & descarto.

 

Ele, o Coxo, aparece. Mente-mente-mentirin-mentirão. Tudo turvo, como gosta.  E nós no sem-fazer há tempo e no quem-déra. Não dá, assim apenas, – foi-se. & fomos

 

— todos no horror do que não-há nem agora nem-nunca (sempre). Deixamos-de. Afinal.

 

Mas somam-se as vésperas dos que não-foram e não serão; seriam quem sabe nas últimas quimeras (essas panteras) do sonho inviolável. Aquele tal último-cigarro c’o escarro & tudo que há-de direito – noentanto não o há n&m será. Seremos a tal promessa & o tal canto d’esp’rança?

 

ou apenas un’inolvidável espanto d’espera? Atento. Soma-se o acalanto q não s’estende & aguarda n’entanto – que foi & és & serás: o-quanto?

 

O tanto que não foi, o aguardo. O desejo imerso de sonâmbulo. & o ritmo sem-fim que deixou-de: espanto. E a lembrança, o escarcéu, ainda a lua, tua-tua & nua que se levanta triste-triste sobre o céu soturno, invisibil’e’sonora – deixo-de: Ser & Estar o aqui-nem-nunca.

 

Dolce sapore d’abbagliamento.



Escrito por Fabio às 09h14 PM.

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