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Bissextos


A atualização desta página entrará num ritmo mais molemolente a partir de hoje até sabe-se Deus quando. Não, não se trata de (mais uma) crise de estupidez mental que me impede de escrever como deveria ou gostaria – nem mesmo de desrespeito aos caríssimos leitores, amigos e outros, que devem existir, nem tanto assim. Não é o caso, sequer, da tal preguiça dorivalcayminiana que me acompanha desde sempre. Não, não, não!

 

Acontece que estou metido num trabalho grande demais – que me exige quase todo o tempo disponível até mesmo para as minhas leituras habituais, que vão rareando. Se leio alguma coisa nesta última semana são as correspondências de Eça de Queiroz para seus amigos e familiares. Se me divirto é com o humor do escritor português, que tende a se tornar péssimo quando contrariadas as suas normas de publicação. O volume, incompleto e recheado de erros de revisão, das cartas do Eça, publicado aqui no Brasil pela Nova Aguillar, chega a 970 páginas, papel-bíblia, corpo 10. Tenho dois meses para rever tudo, perseguir os erros com faro perdigueiro, localizá-los e, certeiro, atingi-los com uma bela descarga de grafite! Devo subjugá-los e humilhá-los – e torná-los dóceis, e fazê-los tímidos e obedientes – como se faz às crianças. A outra parte da imensidão é a digitação de umas tantas cartas que foram perdidas nos disquetes originais – e assim o tempo passará, as costas doerão, a miopia acentuar-se-á em forma mesoclítica, doa a quem doer!

 

Enquanto isso, aqui Reino de Ulanin, os textos serão raros. Vez por outra publicarei uma coisa mais antiga, já quase esquecida (conto, como podem notar, com a falta de memória dos leitores ou, pelo menos, com a sua elegante postura, sempre bem-vinda, de fingir que não se lembram deste ou daquele escrito mofadinho...), ou que, de alguma forma, ainda mereça uma atençãozinha particular. Ou, sei lá, um trechinho qualquer do que ando lendo por aqui.

 

Não lamentem, não se carpam, não entrem em convulsões! Não os abandonarei!

*** 

Ei! Já foram embora?

Escrito por Fabio às 04h51 PM.

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Para uma Nova Teoria da Poesia


(Por H. Kamponov, A. Kamponotchevski e D. Pignatonov

 

do Neo-Círculo Lingüístico Pós-Formal-Estruturalista-Barthesiano-

Levistraussiano-Hiperrealista-Evasivo de Pucuspicamp)

 

Poesia é a manifestação dialética resultante do confronto hiperbólico entre o conceito intrínseco do morfema em sua idiossincrasia e o efeito mítico-transcendental revestido de imagens hermenêuticas hiper-sensíveis.

 

Esta simples definição, quase ginasial em sua estrutura semântico-poiética, resultante da linha de pensamento enquanto somatório da reflexão greimasminiana e jackobsoniana, é fruto de um procedimento ontológico, enquanto manifestação artística conceitual, voltado ao conceito pós-construtivista-neo-contemporâneo (já defendido e definido pelas idéias maiackovskianas no que se refere ao método formal-concreto da (des)construção da linguagem poética em sua reflexão imagética política – aliás, como Tomachévski esperava) que se confronta, nos símiles e marcadores textuais explicitados na construção do discurso, com a tradição platônico-aristotélica vigente mesmo nas vanguardas.

 

Deste modo, descortina-se a abertura de uma mundividência da historicidade, consoante o paradoxo dos processos utilizados pela literariedade (métodos formal-sociológico-abstrato e sensível-marxista-materialista-teleológico), fazendo com que o leitor, esse elemento teórico desnecessário ao texto enquanto formatividade símile de si mesma, se veja imbuído de um posicionamento circunstancial. Podemos afirmar que ele, o leitor, transforma-se, nesta medida, em um ente desnecessário ao texto, que vale por si só em sua conseqüente expressão. Isto coloca o autor em uma posição vaga e indefinível, pois ele se transforma imediatamente em uma alegoria expulsa da relação significante-significado. Ergue-se, desta dupla anulação, o Texto em uma metafísica matemática constitutiva de enredos vagos e eternamente abertos.

 

A obra, assim, mergulhada na multiplicidade teórico-afirmativa-neo-positivista de sua construção, se multi-forma/multi-plica os ideologemas sintagmáticos como aplicação lógico-irracionalista do interpretante peirceano, amplificado em sua vox aeterna: nela já não basta a refração materialista-sintética da normatividade tecnicista, mas, mais do que isso, exige um desenvolvimento teoricista-concêntrico da própria fábula em construção, resultado da consciência da pós-modernidade enquanto resgate de um valor projetado ao futuro.

 

Em uma palavra: a nova poesia está harbesianamente configurada. 



Escrito por Fabio às 11h30 AM.

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Outro contemporâneo.


Notei, pela expressão do meu caríssimo crítico, com que já criei uma espécie de relação amistosa graças aos dois artiguinhos anteriores, que ele não está satisfeito, nada satisfeito. Esperava que eu tratasse, quem sabe, de um desses autores que se preocupam com a realidade social e que descrevem violências e misérias, tão ao gosto da norma ultra-realista engajada da qual, dizem, deve se servir a literatura para cumprir com o seu papel. Epa! Desculpe-me. Não é papel que se diz, mas função. A Função da Literatura daria um bom título para um artigo acadêmico, para uma tese, para uma palestra, para um delírio. Mas, outro segredinho para ti, ó crítico intransigente e descontente, lixo-me para a função da literatura como pessoas da tua espécie defendem. Literatura, para mim, serve para, antes de outra coisa qualquer, divertir e fazer com que nós, pacatos leitores engolfados na chatice da vida, possamos nos elevar, sair das mazelas, descobrir um mundo muito, muito mais agradável. E não me venhas com aquele conceito desgastado de “alienação”, como se, para lermos um livro, devêssemos defender causas políticas. Essa idéia é que tornou a literatura brasileira uma chatice só, com as exceções que tenho apontado nesta série de pequenos e despretensiosos artigos. O que me leva ao segundo “contemporâneo”, cujo livro Todas as Festas Felizes Demais foi lançado recentemente.

 

Fábio Danesi Rossi talvez não agradará a este meu crítico. Não se engaja em críticas sociais, não pretende revelar a triste vida dos pobrezinhos do sertão, não deseja defender causas, ganhas ou perdidas. Pretende, como faz todo bom escritor, contar histórias – e é isso que ele preza, para nosso deleite. A série de contos detém uma crua ironia – se há alguma crítica social no livro, ela se dá exatamente pelo uso da crueza irônica (poderia dizer crueldade irônica) sobre os fatos cotidianos. Na verdade, os assuntos que Danesi trata estão aí, à tua frente, caro crítico: não é preciso ir longe, não é preciso degladiar-se e nem sequer retorcer o teu cérebro para encontrar os assuntos de um livro: desde o primeiro conto, “Deus”, onde se faz uma leitura sarcástica dessas propagandas “não mande dinheiro ainda”, até o último, que dialoga com o primeiro, “Deus II”, onde revela a falta de caráter deste mundo, todo o livro parte daquilo que temos bem à frente de nossos olhos e, muitas vezes, não conseguimos ver.

 

Ironia, eu escrevi acima. Ironia no sentido mais amplo: desde aquela que provoca um leve sorriso contido, passando pelo riso debochado, até à ironia da vida, do desespero, do final imprevisto que provoca a suspensão do riso e a imersão no choque, como em “A Caminho”. Não por acaso o volume abre e se encerra com “Deus”: funcionam como o Alfa e o Ômega que contém tudo – mas um tudo imerso num mundo abandonado à sua sorte, onde cabem tanto o lirismo ingênuo quanto a tragédia. Aliás, o próprio título já revela essa perspectiva, digamos, dupla: Todas as Festas Felizes Demais anuncia a expectativa que temos com a chegada do grande dia, esperança de que possamos, nesta festa que é nossa vida, encontrar a felicidade. Não é novidade nenhuma, claro: o leitor sabe, teve inúmeras vezes a experiência da frustração no decorrer da festa. Ora sente a alegria que irradia com um fato mínimo do cotidiano, repetido sempre e com tanta intensidade que leva ao engano (“Bom Dia, Bom Dia, Hora da Escola”), ora a certeza de que as coisas não funcionam como deveriam, principalmente nos micro-contos na forma de aforismos (“All you need is love”, “Planetário”, “Economia”). É este excesso de felicidade, ou a busca por uma felicidade demasiada, que nos desvia: não somos seres hedonistas. Somos seres ironicamente esperançosos.

 

Fiquemos por aqui, meu crítico, meu companheiro de busca pelo sentido das coisas. O que estes dois escritores nos dizem, a mim e a ti, é que pode haver boa literatura sem a ânsia pelo novo gratuito. Que se pode escrever, e bem, apenas com o desejo, íntimo, de nos fornecer alguns momentos de encanto. Que se pode escrever sem nos jogar no terrível labirinto de falsos conceitos que a sede pelo puro contemporâneo obriga, reservando a literatura a uns tantos teóricos de gosto duvidoso.

Escrito por Fabio às 12h43 PM.

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Um contemporâneo


Satisfaçamos, então, o meu crítico que deve andar a esmurrar as paredes só porque adiei por uns dias a revelação do que leio dentre os tais “contemporâneos”. Não te desesperes, meu amigo, não te sintas desprezado. A introdução, longa demais, feita no texto anterior foi necessária – pelo menos para mim. Talvez não saibas, mas revelo um segredo, muito íntimo: escrevo porque gosto – e passar algumas horas cotidianas em frente ao computador serve-me como terapia. Aristóteles, ao tratar do teatro... mas deixemos Aristóteles para lá, não virá ao caso aqui neste momento. Sei que não gostas dessa suposta erudição – e qualquer coisa que cheire a filosofia lhe cansa e produz uma tempestade cerebral. Se eu colocar Aristóteles aqui, dirás, e não digo que sem razão, que estou me mostrando. Pois esta uma nova confissão: escrevo para me mostrar – como todo mundo, aliás. Vaidade das vaidades... deixemos o Eclesiastes de lado, também, e passemos logo aos nossos dois contemporâneos. 

 

De Alexandre Soares havia lido, já, o seu A Coisa Não-Deus. Agora, aqui ao lado, recém-relido, está o Morte e Vida Celestina. Não posso negar que há, neste livro, uma ironia já na capa – ou duas: a ilustração que nos remete às obras “espíritas” (perdoem os fiéis, mas as aspas são fundamentais – quem e conhece um pouco que seja sabe que não dou crédito à psicografia – que me dá a certeza que a morte faz mal ao estilo) e o título, jocoso com o poeta João Cabral. Não faço um resumo – não gosto de resumos, o leitor que compre e leia. O que Morte e Vida... nos traz é uma inteligente e intrigante trama detetivesca, que bebe em Agatha Christie, Rex Stout e Raymond Chandler, pelo menos. Escapa, no entanto, da fórmula fácil e manjada: o livro não é daqueles que faz o leitor tentar descobrir o culpado pelo crime antes do detetive, numa concorrência saudável. Não há espaço para a concorrência – e nem o detetive-mirim, Dundas Aquino, o permite: ele centra toda a atenção sobre si, faz suas gracinhas, inverte a investigação (se é que há investigação). O detetivesco é apenas um pano de fundo para uma outra investigação, agora sim com o leitor no papel de detetive: quais as referências literárias que o autor colocou na sua trama para nosso deleite? A pessoa que não é dada à prática da leitura irá, simplesmente, acompanhar a trama – e divertir-se-á, não tenho dúvidas; os leitores de verdade, por sua vez, divertir-se-ão muito, muito mais.

 

O que Alexandre Soares nos oferece é uma literatura que volta aos bons tempos: um livro não deve servir para as elucubrações intelectuais de meia dúzia de acadêmicos metidos e seus gabinetes e nem para os pretendentes a títulos o revirem para descobrir isso ou aquilo, utilizando-se das mais pérfidas armas da semiótica. O livro é para ser lido – e divertir; é para ser partilhado pelo leitor para que ele viva por algumas horas as aventuras de Dundas; é para que ele sinta-se em Quaresmeiras Roxas e imagine que, um dia, se for charmoso e inteligente e muito, muito bonito, lá poderá estar morando ao lado de belas atrizes e grandes escritores. O que exclui, de imediato, os acadêmicos e os amantes da contemporaneidade.

 

Aliás, um parágrafo a mais, só um e breve: confesso que algo fez falta no Morte e Vida..., algo que existia e direcionava a leitura no A Coisa Não-Deus. No primeiro livro há descrições, muitas, intensas, que fizeram com que eu visse Quaresmeiras Roxas, sentisse o seu perfume, tocasse nas asas multicores dos anjos, percorresse suas ruas com familiaridade, conversasse com as personagens todas e criasse com elas uma certa intimidade. Neste segundo livro, pautado sobre os diálogos, há, é certo, uma dinâmica narrativa maior que nos obriga a uma agilidade de malabaristas; mas a quase total ausência das descrições, ao mesmo tempo que nos traga para o centro das ações, nos distancia. Tornamo-nos observadores, mais do que participadores.Cheguei a dizer isso para o autor, quando o encontrei. Sou, talvez, um dos poucos que ainda gostam da descrição na literatura (ele me disse), da criação cuidada do ambiente onde se desenvolve a trama. Mas é um mal, se chegar a sê-lo, menor, insignificante quando tomamos o todo do livro.

 

Meu caro crítico, leia os livros de Alexandre Soares, leia. Aprenderás que nem só de Fonsequinhas vive a literatura.

 

O livro do Fábio Danesi... bem, vale outro texto.



Escrito por Fabio às 01h44 AM.

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O que eu leio?


Recebi, outro dia, uma breve crítica: escrevo só sobre autores que ninguém, ou quase, mais lê. Teria este escrivinhador parado nos anos 50, minhas referências estariam estanques nos tempos em que os jornalistas falavam e a completa carência de informações (meu crítico disse assim mesmo: informações) a respeito de escritores brasileiros contemporâneos revela, apenas, que sou de duas, uma: ou um daqueles saudosistas antiquados ou alguém que não tem a menor capacidade de compreensão sobre a “nova estética” (falou assim, também). Olha você tem que ler mais os atuais – essa coisa de escrever só sobre os antigos não está com nada, é apenas um espírito romântico que alimenta. O mundo, completou, anda para a frente; o que passou, passou, deve ficar lá atrás sem que interfira no novo; e o novo é sempre melhor, pois está mais avançado, usa uma linguagem do nosso tempo. Quem, afinal, você lê de contemporâneo?

 

Duas pequenas observações devo fazer ao meu crítico: uma, que neste espaço já tratei de um ou outro escritor brasileiro de hoje, como Rubem Fonseca; duas, que, pelo que consegui compreender das palavras do meu crítico, o próprio Rubem Fonseca, criador do Fonsequismo na literatura, está fora do seu conceito de “contemporaneidade”, pois ele já é um vetusto senhor que vem publicado há coisa de cinqüenta anos. O que seria, para essa mente tão lúcida, contemporâneo? Creio que não deva contar o tempo em décadas, nem em anos; quando muito em semestres ou, para obedecer a sede de “novo” que ele tem, em semanas. Dias, quiçá.

 

Curioso, mas não consigo medir o tempo como estes defensores da barbárie pós-modernosa o fazem. É-me impossível tal esquizofrenia que vê erguer-se no minuto presente toda a verdade e esquecer do minuto que passou e ter a esperança de que, no minuto que vem, surja a revelação: eis a Grande Voz de Nossa Literatura! As grandes vozes calaram-se ou, pelo menos, estão intimidadas. Só o saberemos daqui a muitos anos, como sói ocorrer com todos os fatos. Essa voracidade pelo contemporâneo, pelo atual, pela novidade, é destruidora: em seu nome (melhoro a frase: em seu nome sagrado) são desprezados escritores como Gustavo Corção e Alceu Amoroso Lima, por exemplo; segundo os dogmas desta novíssima religião, os valores de um Dante Alighieri servem quando muito como referência distante de uma época bárbara e, ainda assim, entediante; para os apologistas do novo credo a tragédia grega é ótima para a psicanálise (e isso já está bastante antiquado) mas péssima para a literatura; para os algozes deste novo campo de concentração é urgente a destruição de mitos literários como Machado de Assis e Camões. Salvam-se os ditos “modernistas” de 22, com exceções, claro: loas aos andradóides, como os chamou Bruno Tolentino (um contemporâneo maldito), e silêncio a outros participantes ativos da mesma Semana de 22, como Plínio Salgado; salvam-se, também, os santos concretistas de 55, ainda mais que agora um deles pode ser devidamente canonizado, e o poetinha curitibano Leminski; e salvar-se-ão, sobretudo, uns rabiscadores que se mantém vivos, fonsequizando o mundo. Entre uns e outros, fico com os primeiros e com as exceções.

 

Mas para que meu insigne crítico não se sinta mal com sua consciência – ou que não se desespero e grite “eu não disse, eu não disse? o sujeito é reaça mesmo” –, confesso que li uns rapazes lá do sul, que fundaram uma editora para publicar as suas obras, a Livros do Mal. Detenho-me para não cair na tentação fácil – e injusta – de um trocadilho entre o nome da editora e a qualidade dos livros. Mas, não posso utilizar-me do recurso da mentira e da falsidade, o que apenas me igualaria aos apologistas do contemporâneo. A verdade deve ser dita: e não vi grande diferença entre um Paulo Scott, um Daniel Pellizzari e ou outro Daniel, o Galera. Não que seus livros não tenham me agradado – pareceram-me, apenas, uns iguais aos outros, falando sempre as mesmas coisas, as mesmas coisas, as mesmas coisas. Li, também, Paulo Rodrigues e Nelson de Oliveira – gostei, e não passou disso.

 

Percebo que escapo daquilo que meu crítico exige de mim: o atual, o novo, o contemporâneo. Os autores que citei logo aí em cima já estão “ultrapassados”, pois publicaram seus livros há dois ou mais anos. Tentemos nos deter sobre o agora – e vou permitir-me estender este agora tão imediato para um período de seis meses. E selecionarei dois – apenas dois e não mais do que dois – autores brasileiros novos que de mui bom grado li: Alexandre Soares Silva e Fábio Danesi Rossi.

 

Falo deles no próximo texto.



Escrito por Fabio às 04h49 PM.

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Passem lá


No Oito Colunas uma crônica deste escrivinhador.

O Graal não desaparece.

E Ele já não está mais entre nós. Reencarnou num novo mundo.



Escrito por Fabio às 04h48 PM.

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Não, não digo nada


Há tanta coisa séria para se dizer, para se debater, em altos brados de péssimo humor constantemente alimentados pelas idiotices deste nosso governo que, em desespero, nem sequer sabemos por onde começar. Poderia escrever aqui, para horror e deleite dos leitores – todos os três –, a respeito do tal Conselho Federal de Jornalismo ou sobre a proposta de regulamentação do cinema e da tv, utilizando uma seqüência de fórmulas mais ou menos fáceis e óbvias para destilar a bile negra que nos toma e chegar à conclusão, também fácil e óbvia, que o governo tem tendência autoritária e que o próprio ministro da cultura, que, dizem, sofreu no passado com as propostas que defende hoje, não só é um delirante, mas uma besta completa. Poderia, também, mandar à fogueira a tal UniPro, ou ProUni (vi das duas formas nos jornais), que prevê que 50% das vagas das universidades federais devem ir para os pobrezinhos que cumpriram o ciclo médio nas escolas públicas, e que entre 10 e 20% das vagas nas particulares devem ser igualmente reservadas a essas vítimas do sistema econômico (segundo a mentalidade esquizofrênica das esquerdas), sem contar as tais cotas para negros e índios. Poderia, ainda, demonstrar com clareza que uma proposta educacional como esta não só é tola e infeliz, mas inútil e absurda, já que cria uma outra espécie de exclusão, a pior delas: a exclusão da inteligência. Mas não vou falar nada disso. Estou cansado; frustrado e cansado; frustrado, cansado e vazio.

 

Frustrado, cansado, vazio e alarmado. Por vezes olhamos para trás e pensamos se é isso mesmo que devemos fazer, se a luta não se mostra excessivamente inglória, se a razão que tentamos seguir para levar um tanto de luz às pessoas com as quais nos encontramos semanalmente, ainda que a luz seja a de uma única vela, não são insuficientes ou mesmo sem sentido. Fastio talvez seja a palavra mais adequada quando escutamos de um aluno altos elogios a Michael Moore, elogios reproduzidos de um outro professor qualquer que o levou, junto com mais uns 30 ou 40 jovens da sua turma, ao cinema assistir ao Fahrenheit 11 de setembro como se aquilo fosse, efetivamente, verdadeiro. Fastio quando descobrimos que, por mais que a razão grite, pensam, estes mesmos jovens, que o liberalismo é coisa antiga demais e que, pelo menos, o ideal marxista é recente – como se não fosse um velho senil com mais de 150 anos. Fastio, ao perceber que estes mesmos jovens clamam pela liberdade apoiando idéias tirânicas como a do controle dos jornais, do cinema e da tv. Mas não, não digo nada.

 

Digo apenas que encontrei, num desses sebos da vida, O Século do Nada, de Gustavo Corção, e o Humanismo Integral, de Maritain, por míseros 15 reais. E que, se a luta inglória na realidade cotidiana me enche de fastio, a leitura simultânea destes dois livros pelo menos me oferece uma razão para continuar.

Escrito por Fabio às 04h38 PM.

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Mais um trechinho...


... do tal romance, Epi Logos, do qual já apresentei a cena da Igreja. Mais melancólico, é verdade, mas não menos sincero.

***

Aliás, morta estava a mulher naquela manhã de maio quando o professor, que sempre acordou mais cedo, entrou no quarto carregando uma bandeja com café com leite e pães fresquinhos que acabara de comprar na padaria – um trajeto de quatro quadras que ele percorria todos os domingos a pé, cumprindo o mesmo percurso: ladeava o parque, trocava dois dedos de prosa com o jornaleiro, dizendo que na volta pegava os dois jornais do dia, entrava na quitanda da esquina e escolhia umas frutas, comia o pastel da feira ali adiante, mais um pouco e, noutra esquina, a padaria com seus pães fresquinhos, pedia sempre três clarinhos e três mais escurinhos, para as suas preferências e as dela; depois voltava, caminho mais fácil, para descer todo santo ajuda, sabedoria popular que ainda se mantém, pegava os jornais, mais dedo e meio de prosa, entrava em casa, fazia o café, fervia o leite, besuntava os pães na manteiga, colocava tudo numa bandeja e subia até o quatro, aqui mesmo ao lado da biblioteca, mantido exatamente como era depois da morte – da mulher e sua. Nunca descreveu este quarto, amplo, arejado, os janelões abertos para o jardim coberto pelo arvoredo (palavras dele, de um gosto interiorano que nunca soube de onde tirou, nós tampouco o saberemos) que recebia uns tantos pássaros cantarolantes logo ao amanhecer, coisa bucólica, cena curiosa nessa cidade de concreto, responsabilidade do parque logo ali ao lado, já encontrou de tudo por aqui, até sagüis, até tatus cruzando a avenida ali atrás, uma coruja ou outra, patos aos montes, logo capturados pelos pobres que moram, ainda, nos barracos mais ao fundo do bairro, carne nem sempre se encontra assim. Gostava de abrir as janelas e respirar o ar puro matutino, o que ele logo faz, agora mesmo, para que nós possamos visualizar melhor a cena e acompanhar as ações trágicas que se desencadearão a partir desse momento, logo depois de pousar a bandeja no criado-mudo, deixando a luz entrar e revelar aos nossos olhos primeiro a cômoda grande e pesada, de madeira, com o seu espelho que revela um mundo outro, invertido, que reflete as ações do professor, depois o guarda-roupa art-decò, o tapete que perdeu a cor mas ainda revela uns traços originais que teriam sido vermelhos e verdes e amarelos, depois os pés da cama e, raio de sol, frio, subindo, reflete na colcha de tons roxos, diríamos que é já um prenúncio da cena de morte que daqui a pouco se dará, um pé branco demais à mostra, pequeno e de unhas bem-feitas, o volume do corpo miúdo, e a mesma colcha escondendo o rosto, revelando apenas um tanto dos cabelos tingidos num tom próximo ao azul. Não juraria, agora que vejo a cena, que a mulher está morta, de tão natural que me parece: mas a naturalidade é que acentua a tragédia, o não-perceber dos fatos que os tornam mais incompreensíveis, a sensação de que tudo corre normalmente pelo fluir da vida que a faz, a esta mesma vida, um mistério insondável. O professor ainda está de costas para a mulher ali deitada, aspira o ar com tranqüilidade, tem certeza que tomará o café ali e que depois ajudará a mulher a sair do leito e que a levará ao banheiro e mais uma vez, outra dentre tantas que de tão freqüentes já se tornou parte da vida, ajudá-la-á a se lavar e a se vestir e que a carregará, meio trôpego, pelas escadas até a sala no andar de baixo, onde ela ficará sentada na poltrona frente à janela e ele, jornal aberto sobre a mesa, lerá as notícias principais, atentando para os livros e para os quadros, as exposições e os filmes românticos; vez por outra uma questão política aqui, um escândalo econômico ali, uma corrupção acolá, as eleições que se aproximam – tudo o que os jornais dizem todos os dias, continuamente, nada há de novo sob o sol, melhor mesmo comprar os jornais só aos domingos. Depois, sabe, tem a certeza inabalável das coisas imutáveis, colocará a mulher na cadeira de rodas e a levará, por hora, hora e meia, a um passeio ao parque, onde ambos ficarão voltados para o lago e onde encontrarão velhos conhecidos que pararão e trocarão algumas palavras, a mulher com o mesmo sorriso de sempre, alheio e semi-ausente, murmurando “prazer” para aquelas pessoas que já conhece há tantos anos. Ele sabe disso tudo, agora mesmo, mas o instante e a certeza são rápidos e fugazes: basta nosso personagem virar-se, como o fará daqui a pouquinho, para notar que a mulher está em uma posição incômoda. Não reparará, no entanto, de imediato, pois que nossa condição de perceber a morte é limitada, uma espécie de bloqueio que criamos para minimizar a nossa dor ou, se assim preferirmos, para aumentá-la ainda mais quando a verdade se revela em sua crueza e nudez. Vira-se agora.



Escrito por Fabio às 07h39 PM.

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O Retorno


A Profecia se cumpre: Ele voltou!

 

E o Graal continua por lá, atualizado.

 

[E leiam, leiam abaixo]



Escrito por Fabio às 03h53 PM.

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Esquizofrenias Religiosas


Existem inúmeras igrejas estranhas, esquisitonas, com as práticas mais delirantes. A tal Universal que, dizem eles, ser do reino de Deus (certamente à Sua revelia), é uma dessas que mais se preocupa com o crescimento da empresa do que com a salvação da alma; aqueloutra, Renascer comandada pela mocréia do apocalipse auto-designada bispa, arrasta atrás de si multidões festivas balançando ao som de heavy metal e pagodões de mau-gosto; umas outras tantas por aí, como uma tal de igreja punk que, juro, vi num programa de tv: toda pintada de preto, luz estroboscópica à toda, cabelos e alfinetes pelo corpo, ou a formada pelos seguidores do tal Inri Cristo que, de tão delirante, chegaria a ser engraçado se não fosse trágico. A lista não pára, nunca: há a igreja do diabo, templo em formato de caixão, cujo líder diz ser o próprio demo (e nunca leu Machado de Assis... se lesse o conto “A Igreja do Diabo” saberia que a coisa não vai dar muito certo); há a daqueles sujeitos metidos em batas brancas com faixas azuis, sempre por ali na Barão de Itapeteninga, carregando cartazes afirmando que os nossos “irmãos extraterrestres” vêm nos buscar logo, logo; na Inglaterra, só para não ficarmos nos delírios tupiniquins, foi fundada, anos já, uma igreja Jedi onde os tais fiéis se vestes como Luke Skywalker (se eles tiverem sabres de luz que funcionem, eu viro adepto!) e o pastor deve ser algo parecido com o Chewbacca; e, na Argentina, pelo que vi na net estes dias, há uma igreja Maradonista cujo slogan é “Pelé é rei, Maradona é deus”. Não, não há limites para o delírio humano – o que não é nenhuma novidade, se lembrarmos que, na virada do século XIX para o XX, João do Rio, cronista carioca quase esquecido, publicou um livro, As Religiões do Rio, onde descreve outros tantos casos psiquiátricos.

 

Mas o que choca efetivamente não são essas versões esquizofrênicas surgidas pela completa falta de bom-senso deste nosso tempo. O que choca é ver, no seio de uma Igreja que tem dois mil anos de história, práticas que não apenas se aproximam dos delírios, mas conseguem superá-los. Refiro-me a um padre, João de Campos Jr., salesiano, ministro da paróquia de Santo Agostinho (pobrezinho do santo, pois que é uma vítima – a culpa não é dele e, a essas alturas, lá no céu etéreo, deve urrar de desespero) na Zona Leste de São Paulo. O dito padre é autor de um livretinho, uma espécie de guia prático para provocar a confusão na mente dos incautos e destruir completamente o cristianismo em sua essência: As Religiões Afro-Brasileiras. Fosse apenas um estudo monográfico sobre as religiões africanas que por aqui se desenvolveram, seu histórico, suas práticas, vá lá – existem aos montes em qualquer livraria. Mas o que o tal padre, líder de um movimento pela tal consciência negra, pretende é outra coisa: demonstrar e provar – provar, Senhor! – que as religiões africanas, todas, e espíritas (umbanda, quimbanda, kardecismo, candomblé e outras menos cotadas) são, essencialmente, a mesma coisa que o catolicismo! Seus rituais, pois que não se trata de missa, são recheados de atabaques e pontos, rapazes e moças travestidos como orixás, os louvores a Maria e Cristo  devem ser substituídos pelos cantos a yemanjá e oxalá e o Amém final por uma alto e sonoroso “Axé”. Axé, até onde eu sei, é a marca do desodorante que eu uso.

 

Para ilustrar o que digo, dois trechinhos, de memória: “Os santos da Igreja Católica são orixás”. Como? Quer dizer que o santo padroeiro da igreja onde esse tal João de Campos atua, Agostinho de Hipona, agora não é mais um lúcido doutor, autor de dezenas de obras fundamentais para o cristianismo, mas um cara metido em roupas esquisitas e que gosta mais é de uma cachacinha e um charutão mata-rato? E que Teresa D’Ávila, santa Teresa doutora, pode rasgar o seu Castelo Interior e o Seta de Fogo, reduzindo o êxtase a uma meia dúzia de malabarismos e contorcionismos no centro de um terreiro, ao invés da elevação mística experimentada no claustro de seu convento? Que o doutor santo Tomás de Aquino pode mandar para a fogueira, a mesma fogueira que arde nos terreiros, a sua Summa Contra Gentiles, já que ele mesmo, santo que é e, pela lógica perversa do padrezinho negro, não passa de um orixá, é portanto um gentio? E que Abelardo, santo e doutor, ao invés de seus tratados sobre lógica deveria ter ensinado outra coisa em Paris, algo como língua yorubá?

 

O segundo trecho, uma frasesinha metida bem no final do livreto, nem merece comentários: “Deus é negro”. O padre esqueceu-se do que aprendeu no seminário – ou simplesmente faltou à aula onde se aprende que Deus é indefinível por si só e que a “imagem e semelhança” nossa é essencial, e não aparente. Negra é a consciência desse padreco; negras as suas intenções. Escusa se dizer que, em todo o livro não há sequer uma citação bíblica.

 

Lembro-me de duas frases que vêm bem ao caso: “Pai, perdoai-lhes, porque que não sabem o que fazem” (Lucas, 23: 34) e “Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos” (Marcos, 13: 6).



Escrito por Fabio às 03h52 PM.

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Nietszche é um farsante. Todo o seu pensamento (e todos aqueles que crêem de pés juntos no que dizem ser sua filosofia) é resultante de uma espécie de complexo de inferioridade: útil para quem não admite a própria fraqueza. Seus amantes, em hordas hidrófobas, logo se apegam com todas as garras num ideal de super-homem que os faz sentir melhores. Não percebem, ou fazem parte da mesma farsa: acreditar que o louco bigodudo é uma espécie de profeta dos tempos nossos é compartilhar o mesmo desejo de potência, ser joguete de uma irracionalidade que animaliza. O nazismo é fruto direto da tal filosofia nietszchiana, com grandes doses de darwinismo social, acrescida de duas colheres de Lombroso. Item, o marxismo; item este partido que nos governa.



Escrito por Fabio às 05h30 PM.

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Atenção: Cenas de Tortura e de Estupro Intelectual


Os soldados americanos fotografados torturando os prisioneiros iraquianos são púberes em sua crueldade. Ainda que as cenas fossem verdadeiras, ou que, caso sejam verdadeiras, mostrassem qualquer teor de violência acima do moleque espinhento ajoelhado no milho com chapéu de burro, há ali uma inocência que me pasma. Porque são inocentes, no fundo, essas pessoas que seguram as correntes dos cães enquanto o prisioneiro, sujo e nu, é humilhado; há até uma certa tolerância, na medida em que os cães estão seguríssimos, não vamos querer que os pobres bichinhos passem mal ao morder um partidário de Saddam, pois não? Sim, sim, todos tolerantes e inocentes – uma certa pureza, uma certa candura: as fotos mostravam, mostram, coisas que são praticadas em grupos de amigos, entre colegas que gostam de ostentar força. A humilhação é necessária, apresenta uma didática que conforma o caráter. Imagino a soldadinha vestida de verde xingando o terrorista de “quatro-olhos” e fazendo piadas com a toalha que ele usa na cabeça. Todos, em volta, riem – e o terrorista, de riso amarelo, olha cabisbaixo para os lados, desejando estar em outro lugar. Precisam aprender o que é tortura de verdade.

 

Os maiores torturadores que conheci são intelectuais cheios de títulos que não conseguem falar uma frase de quinze palavras sem citar seis ou sete autores, pelo menos. O recurso utilizado tem um fim, e um fim terrível: fazer sofrer a audiência, que se perde no redemoinho de suas elucubrações; o seu objetivo não é o de tornar claras todas as coisas, mas destruir aquele rapaz magrinho e amarelado, com uma barba falha e rala, metido em chinelões franciscanos, que por algum motivo decidiu estudar Cioran. Não, não fazia a menor idéia de que existia um proclamado “filósofo”, húngaro ou búlgaro ou qualquer dessas coisas aí, que desenvolveu uma “filosofia do pessimismo”. Soube na segunda-feira, quando participei, para desespero dos dois ou três neurônios que se mantém lúcidos, de um grupo de estudos lá nessas puques da vida. Ah!, sim! o rapaz foi devidamente humilhado, ofendido, torturado, estuprado: perdeu, naquele momento, toda a sua pureza, todo e qualquer traço de boas intenções que poderia existir na sua proposta de trabalho; perdeu, igualmente, aquele ar sereno, tranqüilo, de quem gosta de ler, isolado em seu quarto, pelo puro prazer de ler, mesmo que a leitura seja má; foi arrancado da ingenuidade por verdadeiros marechais-de-campo que retorceram o seu texto e descobriram, nas poucas linhas que ele havia escrito, um sem-número de Nietszches, Foucaults, Derridas; uma imensidão de Schopenhauers, Sartres, Lyotards; ali, naquela sala fechada, com o ambiente propício para o descontrole emocional, o rapaz amarelo descobriu que aquele pessimismo havia feito do mundo um lugar totalitário e que, por incrível que pareça, o totalitarismo do século XX havia sido fruto de um posicionamento religioso otimista. Depois de duas horas, o que restou foi a tentativa do rapaz amarelo em sorrir, segurando as lágrimas – e o desejo de vingança: um dia, um dia estarei na posição de vocês, e aí...

 

Os torturadores destruíram, com seus egos, uma alma que, quiçá, poderia ser salva.

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E uma cena de bondade

Quando estamos assim-assim, de mal com a vida e com o mundo, preocupados com o malabarismo financeiro, aparece uma boa alma que nos compreende, nos toma pela mão e nos dá um prazer. No caso, a boa alma não poderia ser outra senão Ana, e o prazer foram dois: um estudo biográfico sobre São Paulo, de Jacques Maritain, e uma Introdução à Filosofia da História, de António Quadros. Os livros (tenho culpa?) são as poucas coisas que exijo para uma existência que possa considerar digna.

Escrito por Fabio às 08h41 PM.

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