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Blogs, Banners e Outros


Um cuepo de cueca-cuela, por favor.


El gran Ministro de la Cultura, Hilbierto Hil, del estado brasilenho, fez una propuesta maravijosa en el Fórum Social Mundial, en Puerto Alegre, com el obhetivo de aprohimar los países de la América Latrina: oficializar el portunhol como una lingua a ser estudada en las escuelas, com su gramática  fixada pelos dotores de las universidades de nuestra nación.

 

Sin duvidas, esta és la mejor propuesta que se puede facer para la mejoria de la educación latrinoamericana, que no  apenas valorizaria la interación entre las diversas pessueas de diferentes culturas, como tambiém posibilitaría a se atinhir más rapidamiente los objetivos de nuestro desgobierno: la destruición completa e total de una identidad lingüística huntamiente com la anulación de nuestras consciências nacionales, o seha, en otras palabras, el puevo brasilenho que já non sabe el português tambiém non saberá lo espanhol.

 

La propuesta ven de encuentro con la vontad de hazer el Brasil una espécie de colônia de lopruesos intelectuales: despós de non se exihir más el fancês e el espanhol nas pruebas del Itamaraty, agora el gobierno retira, tambiém, la obrigación de se saber el inglês. Portuanto, non custa nada el pueblo desapriender a hablar su própria lengua.

 

Jo imahino todolos bluogues escritos en esta nueva fuerma de lenguagem – e los bloguêros hacendo como jo miesmo en ahora, catando mielho para escreber un texto mui pequeño. Imahino tambiém los libros que seram escritos e produhidos, sin contar com las traduciones. En las escuelas estudaremos Mahado de Assis, essencialmente Dom Casmuerro; puederemos hazer uma propuesta de programa de cuerso onde se lê Hoan Guimarães Ruesa, El Gran Sertón: Veriedas en su nueva versión. Assy:

 

“— Nonuada. Los tiros que el senhor ouvió fueram de briga del homem non, Dios esteha. Alevejé la mira en árvore, en el quintal, en lo baiho del cuerrego. Puro mio acierto. Tuedo el dia isso haço, guesto; desde mal em la minha  muocidad. De aí, bierám me hamar. Causa de um biezerro: um biezerro branco, errueso, los ojos de nen sier – se bio –; e com máscara de cachuerro; jo nen quis abistar. Miesmo que, por el defeto cuemo nasció, arrebitado de los bieiços, esse figuraba riendo cuemo pessuea. Cara de hente, cara de cán: determinaram: era el diemo. Puevo parscóbio. Mataran. Dueno de el nien sé quien for.”

 

Si! Gran idéa del nuestro ministro! Puesso oubi-lo dizer, quando de sua bizita a un de los países irmanos: un quilito de marijuana, por favor!

Escrito por Fabio às 10h52 AM.

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O problema


... ocorre quando você gosta do que escreve. Lê, relê o texto e diz puxa, isso ficou bom! E a humildade vai para o saco, cai fora, escafede-se.

 

Pois: passei os últimos dias reescrevendo aquela tese (aquela, lembram-se?), tirando um capítulo tinhoso e teórico daqui, alterando um parágrafo lá, incluindo um comentário ou uma nota de rodapé (notas de rodapé são essenciais para estudos. Inúteis, mas essenciais: servem para dar ao leitor a impressão de que estão frente a um erudito1) acolá, lapidando o raciocínio de um trecho obscuro mais além.

 

E escrevi, escrevi – oh! –, escrevi uma nova introdução que ficou supimpa, agradável e não tem nada a ver com o conteúdo (por isso ficou boa). Resta conseguir publicá-la, agora que não está mais rançosa, com cheiro de gabinete de universidade2.

 

Tirar das teses o cheiro da academia é essencial – devia, mesmo, ser obrigatório antes das teses serem defendidas. É a mesma coisa que acontece nas academias de ginástica: tudo muito bonito, mas há um cheiro de suor insuportável. Quem quiser sentir a catinga característica humana que ande de ônibus na hora do rush: um negão depois do trabalho cheira igualzinho à dondoca branquinha depois de uma hora de body-jumping. Com teses, idem: são todas bonitas e dão um trabalhão, mas o estilo é chatíssimo3.

 

As universidades deveriam ter, no currículo, como matéria obrigatória, aulas de estilo. Para fazer com que os mortais que pretendem adentrar4 o olimpo de onde emanam as belas palavras5 saibam, pelo menos, escrever. Mas, pensando bem, de nada adiantariam aulas de estilo: precisariam, os alunos, antes, saber ler – o que já seria uma vitória6.

 

Notas

1 O que, em noventa e nove por centodos casos, é falso, lembrem-se.

2 Nota de rodapé supérflua.

3 É irritante isso, não?

4 Adentrar! Senhor! de onde tirei isso?

5 Belas Palavras: melífluo, paradoxo, imanente, pathos, angélico – mas é uma opinião pessoal. A Suma Imperatrix Universitas prefere outras: nihilismo, forma, distanciamento crítico, agnóstico, materialismo dialético.

6 Conclusão – ou moral da história: morro de tédio ao ler teses sem estilo, aquela coisa fria e supostamente distanciada, onde não se defende com unhas e dentes uma idéia pessoal. Por isso é que gosto de Gustavo Corção e Jacques Maritain e, até mesmo, porquê não?, Olavo de Carvalho. O Estilo é a alma de um texto1A.

 

Nota da Nota

1A Acabei desviando do assunto do primeiro parágrafo, eu sei. Mas ele foi só uma desculpa para o resto do texto. Se o leitor esperava uma reflexão sobre a humildade, faço como Machado de Assis, nas Memórias Póstumas: pago-te com um piparote – e Adeus!

Escrito por Fabio às 07h00 PM.

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Dica para se ler António Lobo Antunes


Leia tudo o que ele quiser mas nunca tire o chapéu da cabeça para que saiba quem é o patrão.

 

(O autor é parvo ou faz-se?)



Escrito por Fabio às 11h59 AM.

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“Este livro contém mais de 4.700 bobagens, e um estilo pobre que causa dependência física ou psíquica. Não existem níveis seguros para consumo dessas substâncias”.


É o que devia vir escrito na capa dos best-sellers, ficcionais ou pretensiosamente históricos. O pior é que um mau livro gera outros igualmente ruins, criando um encadeamento de bobagens sem fim, avidamente consumidas como verdades fundamentais para a sobrevivência humana. Entrando em qualquer livrariazinha chinfrim, encontramos pilhas e mais pilhas de volumes que tratam da moda do momento: o Graal. E todos, sem exceção, têm uma tarja na capa: o livro que inspirou o Código da Vinci. Não vou falar sobre este livro – já o fiz lá no Oito Colunas esta semana e reescrever um artigo só para alimentar este blog não me agrada. Mas me impressiona a quantidade de títulos que se pretendem sérios a respeito do Cálice Sagrado, nos quais os autores juram de pés juntos que são fundamentados em dados históricos: A Linhagem do Graal (ou coisa que o valha), Rex Deus (que seria cômico se não fosse trágico: li aos saltos e os autores, não lembro os nomes – são três – afirmar que entrevistaram um descendente direto de Jesus Cristo, seu tatatatatatataraneto via São Tiago, aquele de Compostela; claro, Tiago era o filho de Cristo com Maria Madalena, etc. e tal; este descendente seria o atual detentor do Cálice blá blá blá), O Graal do Empresário de Sucesso, Dez Lições para o Graal Mudar a Sua Vida, Servindo a Ceia do Graal: receitas para a família verdadeiramente cristã. Os três últimos, aliás, não vi em lugar algum, mas está aí a idéia para quem quiser aproveitar. Do mesmo modo que não consigo simplesmente reescrever um artigo, não consigo escrever estes manuaizinhos. Permaneço pobre pobre pobre de marré marré marré.

Deve existir alguma reação física muito séria nos leitores dessa espécie de bobagem. A minha teoria é a seguinte: todos nascem com capacidade intelectiva e com a condição de alcançar o bom gosto estético. Isso tem sentido, se pensarmos em Aristóteles e, depois, em Santo Tomás de Aquino: todos os indivíduos almejam o bem último, que é Deus – e Deus é, em si e por si, a Bondade, a Beleza, a Justiça; logo os indivíduos direcionam-se para o Bom, para o Belo, para o Justo e para o Verdadeiro. Quem se dirige ao Alto por meio de belas obras estéticas, mantém sua condição primeira; quem se reduz e se mantém na deglutição de obras vulgares, enfrenta uma perda gradativa de neurônios, em um nível muito maior do que aquele provocado pela nicotina, de modo que, a cada página lida, a cada pagode escutado, a cada filme do Van Dame assistido, a cada programa dominical da TV, a cada peça de teatro com o Miguel Falabela, a pessoa emburrece de forma irreversível e cria uma dependência física e psíquica pela vulgaridade.

É fácil notar os sinais de emburrecimento nas ruas: mal toca um pagode no boteco da esquina, aquela moça de roupinha ínfima começa a saracotear, sorriso tolo nos lábios, olhos repentinamente brilhantes; mal abre o livro de Paulo Coelho, aquele robusto rapaz dá-se ares de inteligência e se sente capaz de discutir qualquer assunto “místico”, dono de uma autoridade saída das profundezas das latrinas literárias; aquele outro, vestido de preto dos pés à cabeça, medalhão com pentagrama ou crucifixo pendente no peito, mal abre o volumezinho de Ane Rice, já se pretende um vampiro daqueles – e acredita que faz parte de uma comunidade que luta pela sobrevivência nesse mundo injusto; o bigodudo senhor, austero de gravata, que assiste a todos os filmes do Michael Moore, ergue a estrondosa voz contra o imperialismo americano; aquela outra, mal leu o Código da Vinci, entra ansiosa no Okurt para discutir as barbáries que a Igreja faz e fez nos últimos dois mil anos...

O problema é que é irreversível, o mal. E se amplia, arrastando os seus tentáculos, tomando as mentes que poderiam ser saudáveis. Depois de anos de consumo desenfreado dessas substâncias tóxicas, os pobrezinhos, transformados em samambaias, passam a acreditar em qualquer coisa – até que as pessoas são iguais, até que o ProUni é uma questão de justiça social. 



Escrito por Fabio às 12h15 PM.

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Notícia Curtinha:


O Código da Tolice está aqui!

Escrito por Fabio às 07h50 PM.

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Umberto Eco escreveu,


não sei mais em que livro, que muitas vezes, ao pegar um volume perdido na sua biblioteca (imensa, diga-se), ele tem a nítida impressão de que já o havia lido, já conhecia os seus segredos e mistérios. Isso se dá porque, no correr dos anos, enquanto arrumava as prateleiras, pegava um volume, abria em alguma página, aleatoriamente, lia e o deixava de lado; a cada vez que resolvia arrumar a biblioteca, repetia o processo, de modo que, depois de algum tempo, já havia lido quase a totalidade dos seus livros, aos saltos, assistematicamente: uma página aqui, uma frase ali, um diálogo acolá, uma idéia mais além – sempre aproveitáveis as leituras, sempre úteis para as suas próprias idéias, sempre rendendo frutos futuros: um artigo, um ensaio, um comentário. De qualquer modo, quando resolvia ler efetivamente o tal livro, tinha a impressão de que já o conhecia intimamente.

 

Isso acontece, medidas as proporções, comigo. Também não sou sistemático nas minhas leituras cotidianas; também me vejo obrigado a, de quando em vez, arrumar o caos que me cerca na bibliotecazinha de casa; também demoro na arrumação, já que não consigo passar, em um dia, da primeira prateleira: ali sempre tem algum volume que grita, pedindo atenção. E vocês sabem, meus leitores, que me seguem uns tais demoniozinhos, divididos em castas bastante rígidas, que esperneiam para que eu leia determinado livro, determinado autor. Eu escrevi “castas rígidas”? Nem tanto: nos últimos meses os preguiçosos demoniozinhos andam flanando pela casa, largam-se nos cantos da biblioteca, um tiquinho apáticos, inconstantes eles mesmos, o que me imprime um fastio, uma seca de leituras: olham para mim e pedem, os da casta teologal, uma dose de Tomás de Aquino ou Agostinho de Hipona – duas páginas depois do Contra Gentiles ou do De Trinitate, suspiram, cansados... não é isso, não é isso ainda, murmuram. Um outro, vindo da casta poética, olha lânguido para aquele Drummond há meses parado na estante, esprimidinho entre seus pares: um poema depois, faz-me largar o livro e tamborila longos dedos sobre a escrivaninha. Dali a pouco, senta-se ao meu lado um digno e vetusto representante da casta filosófica: um trecho do Mênon, outro da Rebelião das Massas, uma frase de Unamuno – e ele, cabeça baixa, afasta-se de mim, deixando-me só com o meu desejo de leituras. Meses, isso. A tal ponto que a História da Beleza foi apenas folheada, espírito malemolente.

 

De tanto folhear coisas aleatórias, acabei por ler mais do que o teria feito com sistema; de tanto ler trechos de Tomás de Aquino, acabei formando uma vaga idéia, de fios soltos, sobre alguns conceitos – que encontrei organizados num livro amarelado e esquecido na fileira de trás do setor de filosofia medieval: Inteligência e Pecado em S. Tomás de Aquino, de Celestino Pires, S. I., Livraria Cruz, Braga, 1961. Sequer lembrava que tinha o volume – e sequer tenho consciência da razão pela qual ele foi relegado a um lugar tão inferior na coleção dos Santos Doutores. O que sei é que o comprei há anos num sebo qualquer e paguei miseráveis oito reais. O que sei é que era um livro virgem e tive de, delicadamente, com o estilete, separar os cadernos. O que sei é que a sua leitura (agora sim, sistemática) me ajuda a organizar as idéias vagas que tenho sobre a questão do pecado no Doutor Angélico. O que sei é que este livro me proporciona um esforço, prazeroso, de buscar na memória aquelas outras leituras assistemáticas.

 

Ler é um movimento de prazer – descobrir que temos uma pequena jóia entre nossos livros só faz com que nosso espírito se deleite. Encerro, para não abandonar Umberto Eco lá no primeiro parágrafo, com o jovem Adso de Melk:

 

“Até então eu pensara que todo livro falasse das coisas, humanas ou divinas, que estão fora dos livros. Naquele momento percebia que freqüentemente os livros falam de livros, ou seja, é como se falassem entre si”.

Escrito por Fabio às 01h13 PM.

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