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O Velho Aroma de Ranço Ideológico no Ar


Quem afirma que o Estado deve exercer algum tipo de controle sobre a sociedade, das duas, uma: ou não faz a menor idéia do que está defendendo ou tem um gosto mórbido pelo totalitarismo. E não importa se o sujeito tende mais à esquerda ou à direita – qualquer tipo de controle sobre as liberdades de expressão e pensamento serve apenas para matar o espírito de um povo. Tivemos controle durante muito tempo, em nossa história, e nunca, em momento algum, o resultado foi positivo.

 

Damos, porém, o braço a torcer, junto com outros tantos que, refletindo sobre os idos de 1964, acabaram por descobrir que o golpe militar foi uma boa coisa, em certo sentido. A opção não era das melhores e o risco de sovietização que corríamos era grande e assustador. Entre os trogloditas fardados e os trogloditas barbudos, entre os gorilas e os rinocerontes, ficamos com os gorilas. Mas os rinocerontes chegaram ao poder pelo voto – e agora colocam em práticas as suas doutrinas mórbidas, disfarçadas sob o rótulo democrático, escondidinhas por detrás do apoio incondicional aos “pobres” e aos “oprimidos”. Sabemos muito bem não existem estes tais “pobres” e seus companheiros “oprimidos”: apenas formam um grupo que faz parte daquela massa definida por Ortega y Gasset, ainda nos anos 30: têm desejo de ascensão social não pelo mérito, não pelo trabalho, mas à força – e apóia o primeiro que promete um biscoitinho em formato de osso atirado ao canto da sala. A massa aceita ser controlada, gosta de ser repreendida, tem a ilusão de que é ela quem manda. Não por acaso, apoiou o fascismo, o nazismo e o comunismo. Não por acaso que dela ainda saem um jovenzinhos tolos neo-fascistas, neo-nazistas, neo-comunistas. E elas, elas – ah! – gostam mesmo do senhor Lula, dito presidente, por identificarem-se não com sua vida sofrida, não com o fato de ele ter sido um trabalhador, operário, que perdeu ou cortou o dedo. Gostam pelo motivo simples de que Lula nunca trabalhou de verdade: depois de decepado o seu amado dedinho, aposentou-se por invalidez e viveu, como vive, sugando das gordas tetas do Estado sua aposentadoria e em outras tetas, menos dignas, do Partido ao qual pertenceu: o filiado deixava, deixa ainda, creio, 30% do seu ganho para as ações do PT... Uma espécie de Igreja Universal mais cruel, mais terrível, mais mórbida e doentia.

 

Mas não é este tipo de crítica que desejo fazer. É apenas sobre um risco, outro, que corremos de ver nossas liberdades cassadas, controladas, espoliadas. Depois da tal Ancinav, que não passou, e do Conselho Federal de Jornalismo, que foi calado, um pré-projeto circula e é discutido no congresso, com total apoio do Planalto e dos asseclas pertencentes à quadrilha ideológica: o pré-projeto da lei sobre o ensino superior. Dois pontos, apenas:

 

Um, que as Universidades só serão aprovadas pelo ministério se oferecerem cursos voltados às reais necessidades da comunidade das regiões nas quais estiver instaladas, visando o crescimento da comunidade e, por suposta conseqüência, do Brasil. Educação, e educação superior, não deve ser vista como uma formação técnica profissionalizante. E ninguém me explica quais seriam as “reais necessidades” etc.

 

Dois, que as instituições de ensino devem ser controladas – não pelo reitor, não pelo ministério, não pela comunidade acadêmica – mas pela comunidade, pelos órgãos sociais, pelos sindicatos, pelos grupos representativos de determinados grupos. E este “Concelho” teria, terá, poder de decisão superior ainda ao do Reitor e ao dos professores. Significado disso: se um representante qualquer, um capiau do MST, considerar que o curso proposto pela Instituição não cumpre com as suas funções sociais, doutrinárias-ideológicas, pode muito bem alterar o currículo; se o barbudo do sindicato preferir que o aluno deva ler, ao invés da boa literatura, a tal literatura em defesa das minorias, muda-se o currículo. É dar armas para quem não entende do processo de educação e de formação intelectual. Do mesmo modo, se estes representantes das organizações sociais considerarem que uma pesquisa qualquer não é do interesse das “necessidades reais” da sociedade e, assim, também não o é para o “crescimento do Brasil”, simples: o ilustre professor não recebe bolsa e é direcionado para uma pesquisa que não é do seu interesse. Há mais, muito mais. Estes dois pontos, no entanto, já revelam o horror.

 

Foi o que aconteceu na falida e semi-sepultada União Soviética: o controle da educação como forma de controle social. A inibição do pensamento individual com a desculpa de melhor servir ao povo. É o que acontece, ainda, nos países que emanam o fedor do autoritarismo stalinista, Cuba, Coréia do Norte, um ou outro africano. É o risco que corremos.

 

Dirigir a liberdade de pensamento, coibindo a liberdade individual de expressão e pesquisa é transformar este nosso país num deserto. O espírito aprisionado em correntes ideológicas. Este nosso governo tem se revelado extremamente competente em dar tiros no próprio pé. Mas, com sua pontaria, acaba, sempre, acertando em nós.

Escrito por Fabio às 01h20 PM.

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Fumar


Eu sei, eu sei: fumar faz mal. É o que dizem todos os terroristas politicamente corretos que esqueceram o pouquinho do charme do cinema dos anos 50. Tanto me falaram, tanto espezinharam que pensei: até que abandonar o cigarro poderia ser uma boa atitude. Vejamos: um maço da marca eu fumo (se ela pagar o espaço, eu digo qual é) custa 2,25 reais. Fumo um maço por dia; logo, em dez dias são 22,50 paus; isso, multiplicado por três (o mês inteiro), dá algo, vejamos... em torno de 67,50 mangos. O que é, digamos a verdade, uma soma considerável – e, se não é suficiente para comprar aquele livro tão esperado, é, pelo menos, parte dele. Ou uma garrafa de bom vinho. Há de se considerar.

 

Disseram-me: olha, tem um método muito, muito bom. Funciona sempre. Assim mesmo, meio que milagroso, entende? É usar o produto e, pronto!, quando você menos espera – zás! – parou de fumar. Um dia para outro. Ou quase. Tudo depende de paciência e perseverança. Isso, se você tem paciência para ler Grande Sertão: Veredas, é fácil. Meu interlocutor não era, já se vê, dado à leitura.

 

Tentei, juro. Uma semana. Mas os tais adesivos de nicotina são um verdadeiro inferno: grudam nos dedos, são difíceis de enrolar, têm gosto ruim e, quando os acendemos, soltam um cheiro insuportável.

 

E tragá-los é um ato de heroísmo.

Escrito por Fabio às 09h04 PM.

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Todo livro tem a sua história


Para o Beto.

 

E este, aqui ao meu lado enquanto escrevo, tem a sua. Não é uma história de grande emoção, sequer de longas buscas de anos e anos até o encontro com a jóia, escondida na fileira de trás de uma prateleira de um sebo qualquer. É uma história simples, singela mesmo, casual. Mas quem disse que o acaso não age para nos premiar, de quando em vez, com uma surpresinha boa que acalanta nossas almas?

 

Pois que tenho precisado de acalanto. Quem está próximo, bem o sabe. Sabe, também, que tenho verdadeira obsessão por livros – que são o tesouro juntado por mais de vinte anos; sabe, item, que sou ciumento, de um ciúme que me impede, muitas vezes, de um simples empréstimo daquele volumezinho sem importância; sabe o drama que significa desfazer-me de uns tantos livros nessa época de vacas macérrimas, anoréxicas. Meu acalanto são os livros.

 

O leitor a quem dedico esta crônica deve estar se perguntando: que raio, afinal, tenho eu com isso? Sei de toda esta tua situação, sei do seu amor aos livros, sei que você é apegado a eles, um tantinho a mais do que seria saudável, mas cada louco etc. Calma, Beto, meu amigo, calma – a paciência é a arma dos fortes e eu chegarei no ponto que interessa, você vai ver.

 

O caso é que enchi a malinha com uns tantos volumes. Vender livros é um caso sério – e o que mais me incomoda é não saber em que mãos eles vão parar: pode ser que nas de um vetusto senhor que irá, com o tempo, encaderná-los em verde ou em mãos menos dignas que dobram as pontas das páginas para marcar onde parou a leitura; pode cair em mãos dóceis e delicadas de uma moçoila em busca de distração frente aos dramas de sua, dela, vidinha monótona ou em rudes e grossas mãos inábeis para o manejo dos delicados volumes; podem, os livros, ser enfileirados pelas mãos ordeiras de um estudante ou largados pelos cantos pelas mãos incapazes de outro. Sim, há diversos tipos de leitores, cada um quase que um universo próprio, particular, intransferível. Tantas hipóteses me exasperam – mas o mal está feito: vendi os volumes. Mas. Mas vamos para outro parágrafo, que vale a pena.

 

A única maneira de diminuir a minha exasperação, o sentimento de perda, a clara angústia de ter vendido filhos para o trabalho escravo, é comprar um outro volume, unzinho que seja. Percorro os sebos, esses templos de abandono, em busca de alguma coisa que me chame a atenção. Nada muito importante, nada muito caro, nada muito raro. Apenas um insuficiente substituto. Preste atenção agora, meu amigo, na frase que segue – este o objetivo do texto e teremos a revelação das razões – ou da razão – pelas quais este texto é dedicado a ti: encontrei o livro!

 

Não, não te irrites pela demora da revelação! Um leitor que admira Maritain, que lê Alceu Amoroso Lima e Gustavo Corção não pode ter uma atitude destas. A pérola, a pérola estava ali, numa livraria pequenina, metida numa travessinha do centro da cidade: Jacques Maritain, um volume de ensaios sobre o filósofo francês em comemoração aos 40 anos de sua conversão; assinam o volume, entre outros, Gustavo Corção, Gladstone Chaves de Mello, Afrânio Coutinho, Alceu Amoroso Lima. E, no frontispício, na caligrafia irregular e feiosa característica, lemos:

 

“Para Aires da Mata Machado

com viva admiração

pelo Centro D. Vidal

Alceu Amoroso Lima

Maio 1947”

 

Sim, meu caro. Este livro tem a sua história. Ao meu lado, na mesa, há apenas meia hora, carrega em si um universo de referências, um mundo de caminhos e de sentidos que apenas alguns poucos poderão saborear. A cada palavra, um sentido novo – nada mais se pode esperar. Apenas o acalanto. 



Escrito por Fabio às 04h46 PM.

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Mudanças


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a esperança, o mundo todo é composto de mudança, trazendo sempre novas qualidades, escreveu Camões impressionado em como as coisas todas não se fixavam, não mais permaneciam, como há cem anos. Cem anos era uma infinidade de tempo, os minutos todos alinhadinhos uns atrás dos outros, se distanciando – e o minuto que viria dali a pouco traria nenhuma, ou pouca, alteração em sua essência – mas como era, ao mesmo tempo, diferente! O paradoxo do século XVI. Diversos daqueles outros minutos, agora de Machado de Assis, trezentos anos depois: o que importa é o minuto que vem e não o minuto que passa. Entre um e outro, fico com nenhum.

 

Não que não admire Camões e Machado. Pelo contrário, sou leitor intenso e assíduo dos dois. Mas a aflição pelo tempo do primeiro, homem ainda de dois mundos, de duas concepções de realidade distintas e conflitantes, o tal Renascimento (um falso renascimento, aliás) e a permanência medieval, a aflição do vate português, eu dizia, se dava por esta espécie de sedução que as mudanças trazem: o otimismo de uma promessa imperial Portuguesa, a grandiloqüência das suas ações e aventuras. Um otimismo aflito, mas realista ao extremo, como se nota na voz do Velho do Restelo. Todo progresso, ou toda a progressão das coisas, visa, no fim, a permanência de algo – e este algo, a essência do ser, é que se não pode abandonar, com o risco de perder-se a própria identidade. Portugal a perdeu por sessent’anos... Por isso o último verso, o fecho de ouro, do soneto com que comecei esta crônica que anuncia uma mudança: o mundo já não muda como soía.

 

De Machado distancio-me, também, por não conseguir compartilhar o desespero – do minuto que vem. Aqui encontramos o pessimismo, puro pessimismo fruto de uma vida sofrida: mulato, filho de pai alforriado, uma madrasta com quem se não dava, gago, tímido, pobre, faminto, epiléptico. O minuto que vem de Pandora, depois da bela viagem de hipopótamo de Brás Cubas, é o anúncio daquilo que o Bruxo do Cosme Velho sempre esperou: a morte. Não mais o progresso desenfreado, não mais um objetivo claro e alinhavado à frente da humanidade para onde todos se dirigem, em melhor ou pior passo. O progresso estagnou o mundo em sua ânsia. É a campânula contando o tempo: menos um, menos um, menos um...

 

Nem otimista nem pessimista, muito pelo contrário. Estou com Chesterton: o equilíbrio, tranqüilo, entre os dois extremos. Extremos, escrevi? Não, não o são. O otimismo máximo é um pessimismo doentio – desvia-nos das noções que devemos ter da realidade tal qual ela se apresenta. Mas escrevo demais, demais. Não perco a mania de conversar com o leitor, como se estivéssemos sentados na mesa do botequim, em Ipanema, nos anos 50.

 

Veja, fino leitor, como eu cheguei onde desejava: os anos 50 do falecido século vinte (que a História lhe seja leve). Há duas épocas que admiro, intensa e constantemente: o século XII da Universidade de Paris, de Tomás de Aquino e das disputas, da Demanda do Santo Graal e da reconquista; e a década de 50, do jazz de Miles Davis, dos princípios da bossa nova, do Rio de Janeiro que, então, era mesmo lindo e, o principal, a capital federal de todos nós, tupiniquins. Esta casa nova mantém o seu espírito medieval em suas intenções. Mas traz uma outra época do ouro – na minha imaginação – na qual a cidade, qualquer que fosse, era uma cidade e não uma reprodução em escala menor de um dos círculos infernais dantestos. Jocosa, por um lado; conservadora na essência. Jocosa como Machado, conservadora como Camões. E ali, no centro, a pessoa que mais uniu estas duas qualidades, com quem pude conviver por míseros 17 anos: o senhor João Ulanin.

 

João Ulanin vale um novo parágrafo. Valeria um livro.Um poema épico eu não digo, seja pela simplicidade com que viveu, seja pela minha incapacidade de escrever longos poemas. Não digo também um romance, pois não acredito que uma vida, por mais interessante que tenha sido, valha um. Histórias baseadas em fatos reais são, cem por centos dos casos, ruins. O fato real é, sempre, menos interessante que a ficção: e uma boa história inventada vale todas as vidas comezinhas com as quais cruzamos cotidianamente. Valeria, pelo menos, este parágrafo que não, não escrevo. O leitor, portando a sua sensibilidade, o adivinhará neste e noutros textos.

 

A decoração, os quadros, estes móveis novos, tão bem ajambrados juntos com os livros empoeirados, a disposição da sala, os charutos à mão, os cálices de Porto aqui ao lado, as poltronas confortáveis para o nosso bate-papo são, como não poderia deixar de ser, dela.

 

Recostem-se, escolham um volume, fiquem à vontade. A casa está, como sempre, aberta para os amigos. Para os inimigos, utilizo-me mais uma vez de Machado de Assis, para que ele não fique ali no topo da página, enfastiado: pago-te com um piparote – e adeus! 



Escrito por Fabio às 11h29 PM.

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Adivinhem quem voltou para o jantar? Ela, trazendo O Susto do meu Sumiço:

"E foram dos grandes, tanto o susto quanto o sumiço. Não sou lá de comentar muito sobre o que me acontece, mas vá lá... estou devendo essa para todos que não viram mais o ar de minha graça no meu bloguinho tão estimado e tão abandonado desde agosto do ano passado (caramba!)". 

Leiam, leiam mais. Leiam tudo!

 

E, Afastamentos e Aproximações, deste escrevinhador:

"Precisei simplesmente, depois de perceber a mentira na qual estive mergulhado por tanto tempo, ler uma ou duas páginas de Santo Agostinho ou Santo Tomás de Aquino. Não há no mundo uma pessoa inteligente que os leia e não sinta o impulso imediato da conversão: são palavras altas demais; são gritos da verdade; são ensurdecedoras as suas vozes – e imenso o amor que delas desprende, atingindo-nos em nossa velha ferida, jamais cicatrizada: teu coração (dizem as palavras dos Santos Doutores) é humano e vazio e, por causa disso, buscas um fim último – o único fim possível e plausível; nada no mundo poderá preenchê-lo: apenas a Verdade. E reconhecê-la dependerá só de ti".

O texto completo está no novo Oito Colunas. Não foram ainda? 



Escrito por Fabio às 11h49 AM.

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25 Anos


Em todos os jornais, a festa. Em todos os canais, o elogio à barbárie. Em todos os comentários, o vácuo.

 

Falo do tal aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores, 25 anos festejados com bolo e estrelinhas vermelhas, como sempre.

 

Cena: Genoíno, que é um nome bastante impróprio para quem não tem essa qualidade, com seus olhos miudinhos, nariz afilado e pontudo, testa franzida – a cara de rato de sempre, um homem acinzentado saído dos bueiros ideológicos que emanam saudades da sovietização – Genoíno afirmando (close) que o PT precisa fazer alianças, mas ordenar as regras políticas. Uma espécie de “queremos seu apoio, mas calem a boca”. Corta.

 

Cena: Série de velhinhos acadêmicos, todos fundadores do PT, falando da traição ideológica que o ex-amado partido (no GC, o nome do sujeito e a frase “ex-deputado estadual”, “ex-deputado federal”, ex-isso e ex-aquilo, tudo do PT, dando a impressão que o partido é formado por ex) cometeu ao se afastar dos seus ideais sociais da época da fundação. 25 anos não são 25 horas – e dois fatos podem ocorrer nesse tempo todo: ou a criança cresce e se torna inteligente e pára com aquela bobagem de eu quero eu quero eu quero, a bola é minha e acabou o jogo, ou se revela uma pobre imbecilzinha incapaz de pensar por si só. O caso do PT é o segundo. Mas a tristeza dos ex, dos velhinhos, ocorre porque não houve uma revolução daquelas bem sangrentas, não se perseguiu um só burguês, não se julgou um único empresário explorador do trabalhador-unido-jamais-será-vencido. E lamentam, profundamente, olhos baixos cheios de mágoa, que a política econômica de agora é mais ortodoxa do que aqueloutra do FHC. Nisso têm razão – é mais ortodoxa e mais cruel. Mas são mágoas de ex. Todo ex traz em si uma mágoa profunda pela esperança despedaçada. Corta.

 

Cena: 1980. Greve. PB. Um barbudo meio sujo grita palavras de ordem. Usa português errado, erradíssimo. Multidões. Pessoas em volta de uma mesa, numa fotografia histórica: Lula e os ex, um sujeito de batina, três ou quatro homens menos sujos que hoje estão aí, mandando. Uma voz em OFF diz, em tom de lamento, dos desvios que o PT cometeu nestes 25 anos; que antes ele pregava o não-pagamento da dívida externa; que antes pregava a igualdade entre todos; que antes protegia o trabalhador. Aliás, foi por essa voz em OFF que descobri que teria sido o PT o articulador das Diretas-Já, e não o então PMDB, liderado pelo Ulisses, velho tuta, como foi, à época, noticiado e todos os jornais. Descobri, também, que os verdadeiros movimentos contra a dita dura foram liderados pelo PT – e não pela oposição verdadeira que ali agia. Comecei a duvidar da minha existência e da minha memória: de certa forma havia, ainda que ingênuo, participado desses movimentos. E não me lembrava do PT como líder de coisa alguma ou, pelo menos, não com uma posição tão importante assim. Corta.

 

25 anos é tempo suficiente para se reescrever a história segundo os interesses particulares de alguns. O que choca, no entanto, não é esta reescrita – fato corriqueiro sob os mais diversos regimes –, mas o fato de que todos, sem exceção, lamentam profundamente que os ideais autoritários do PT não tenham se cumprido conforme a promessa.

 

Não se cumpriram na prática (ouso dizer ainda). O desejo de autoritarismo, porém, está ali, cristalino, nos corações da canalha.  



Escrito por Fabio às 01h03 PM.

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Seis propostas para curtir o Carnaval como se deve


Não gosta de samba?

Morre de tédio com os enredos?

Desespera-se com os programas de tv?

Não agüenta mais a vulgaridade?

Tranca-se em casa, angustiado?

Eis a solução!



Escrito por Fabio às 05h16 PM.

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