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Mas como Falam! (2)


“Esta supremacia dos meios sobre o fim e o desmoronamento consecutivo de todo propósito seguro e eficácia real parecem ser a principal censura que podemos fazer à educação contemporânea. Seus meios não são maus, ao contrário, geralmente melhores do que os da velha pedagogia. O mal está justamente em serem tão bons, que somos levados a perder de vista o fim.”

(Jacques Maritain. Os Rumos da Educação. Rio de Janeiro: Agir, p. 28)

 

Escrevi, no post anterior, sobre Leonardo Boff. E senti-me desagradado, como se tivesse gastando sola de sapato chutando cavalo morto. Mas não passou de impressão falsa, como são as impressões o mais das vezes: a própria ressurreição do ex-frei, a quantidade de vezes que apareceu na mídia, já revela o problema que teremos pela frente. Revela mais: que os anos todos de suposto silêncio (suposto, visto que há livros aos montes dele em qualquer livrariazinha chinfrim) foram utilizados, e bem utilizados, para esse ressurgimento. Não se trata da volta do morto-vivo: Boff nunca morreu – e nunca foi. Manteve-se, sempre, cercado pelos seus fiéis seguidores, manteve-se sempre bem articulado com a esquerda, influiu sempre nas discussões supostamente teológicas nas academias.

 

E lembro-me que escrevi, também, que a sua doutrina era marxista. Um erro meu – corrigido pelo próprio Boff em sua entrevista. Disse ele (entre aspas a citação aproximada, que não sou de tomar notas, desesperadamente, na frente da televisão): “A teologia da libertação nunca foi de base marxista – foi de base gramsciniana”. Para quem está habituado com os textos de Olavo de Carvalho, não haverá a menor dificuldade em chegar à conclusão adequada referente a este Gramsci que aparece ali na fala do doutor como uma tábua de salvação. Para os que não conhecem a doutrina, deixemos a palavra com o próprio Olavo de Carvalho, no seu A Nova Era e a Revolução Cultural:

 

Gramsci concebeu uma dessas idéias engenhosas, que só ocorrem aos homens de ação quando a impossibilidade de agir os compele a meditações profundas: amestrar o povo para o socialismo antes de fazer a revolução. Fazer com que todos pensassem, sentissem e agissem como membros de um Estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista. Assim, quando viesse o comunismo, as resistências possíveis já estariam neutralizadas de antemão e todo mundo aceitaria o novo regime com a maior naturalidade”.

 

Se levarmos, ainda, em consideração que a visão de Gramsci sobre a religião em geral – e sobre o catolicismo em particular – não era das mais agradáveis, na medida em que a Igreja Cristã impediria o processo revolucionário comunista, podemos perceber de modo cristalino o paradoxo que se cria ao se pregar uma teologia que se pretende libertadora nos moldes gramscinianos. A teologia da libertação, deste modo, não passou, não passa, de um instrumento doutrinal voltado para a mera materialidade do ser, ou seja, de um incentivo a uma visão do homem como tendo fim em si mesmo, e não como tendo como objetivo o Fim Último definido por Tomás de Aquino: Deus.

 

Esta a inversão causada pela deturpação dos objetivos da Fé – e por isso a deturpação que o senhor Boff, seguido festivamente pela mídia, faz da imagem de Bento XVI. O novo Papa é um “reacionário” pelo motivo simples e claro de defender a Tradição Cristã, posicionada muito além, muito acima, de qualquer preocupação comezinha cotidiana. A Libertação verdadeira é a da transcendência, da eternidade, da permanência nos valores que nos tornam melhores seres e melhores homens – e não uma libertação que nos mantém aferroados em grilhões ideológicos que visam apenas a perecividade das coisas à nossa volta. A Igreja utiliza-se de seu discurso, do discurso bíblico e dos valores cristãos, para nos levar/elevar a Deus e obter a salvação; a teologia da libertação utiliza-se da inversão dos valores da Verdade e do discurso de Gramsci para manter o homem agrilhoado ao seu sofrimento.

Escrito por Fabio às 10h41 PM.

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Mas como falam! (1)


“Quem perde de vista que a Igreja é um mistério da fé não tem em sua mente a idéia da Igreja. Pode certamente falar sobre ela, e falar profusamente sobre ela: ele não sabe do que fala.”

(Jacques Maritain)

 

 

Abro este retorno ao blog, que espero não ser breve, com este pequeno parágrafo de Maritain, extraído de um de seus últimos livros, A Igreja de Cristo (Rio de Janeiro: Agir, 1970), por motivo bastante simples: pessoas que não sabem o que dizem é o que mais vimos – e vemos, ainda, passados os dias – neste período de novo papado, sob Bento XVI (décimo-sexto, si vous plait; Bento dezesseis soa filistaico; melhor – e mais bonito – é em latim: Benedictus decimus-sextus, mas a turpe mal consegue falar em português...). Não, não sabem o que dizem, e devem, claro, ser perdoadas como dita o Evangelho – mas haja paciência para agüentar tanto Boff em todos os canais de tv.

 

Boff, que andava meio esquecido pela mídia, ganhou, com a morte de João Paulo II, um novo fôlego. Morto um santo, o diabo aproveita, poderíamos dizer, caso não fosse um julgamento precipitado. Aliás, não é lá muito precipitado. Mesmo que levemos em consideração que ele (Boff, não o demo) tem boas intenções no que pretende, não podemos esquecer que de boas intenções o inferno etc., história antiga e desgastada como a tal teologia da libertação que de teologia tem muito pouco ou nada e de libertação menos ainda, na medida em que as bases teóricas marxistas que utiliza são, sempre, em cem por cento dos casos (a História confirma), tirânicas.

 

Não duvido que Boff tenha sido um bom frei e um bom teólogo. Sua história pessoal, contada por própria voz num programa dominical na Bandeirantes, o confirma: aluno do mesmo Cardeal Ratzinger, seu orientador no doutorado, impressionou o professor com a tese; não conseguindo editora para publicá-la, Ratiznger conseguiu uma e tirou dinheiro do próprio bolso para financiar a edição. Anos depois, o doutorzinho fala umas bobagens em nome da Igreja, prega a revolução comunista, usa das bases sociais da Igreja para mover as massas sob o discurso da suposta luta contra a ditadura – e o antigo professor, alertado, o chama à ordem: meu filho, não diga bobagens... Leonardo Boff disse que o Cardeal foi suave, doce até, na bronca. Agiu como um mestre frente a um aluno displicente ou que se desvia da verdade: um puxão de orelha, uma humilhaçãozinha pública (a humilhação reforça o caráter, escreveu Paulo Francis), uns joelhos esfolados no milho metafísico da Congregação para a Doutrina da Fé e dali a pouco o freizinho-doutor poderia voltar à sua atividade normal... Mas joelhos esfolados curam-se com band-aid – egos esfolados e orgulhosos não têm remédio.

 

A desobediência é filha do orgulho. Um representante da Igreja, um clérigo, que empina o nariz e interpreta a doutrina como bem entende, defendendo o indefensável e se sentindo melindrado quando tem as longas orelhas puxadas e saindo irritadinho batendo a porta atrás de si nada mais é do que orgulhoso. A Verdade, aliás, tem seus modos de se revelar – e de revelar a hipocrisia que se insinua na mente de uns tantos clérigos: basta que ela se revele, puramente – e eles, os boffes, de olhos revirados gritam que foram injustiçados e que é ela, a Verdade, que tem se afastado das reais necessidades do povo... Se isto não for orgulho, não sei o que seja. E é bastante difícil conseguir perceber as definições corretas dos termos, hoje: seus significados mudam ao sabor do vento – ou melhor: ao sabor dos cabeças-de-vento.

 

Mas escrevi demais sobre Boff para meu gosto – e não era essa a minha intenção. O que desejava, mesmo e para valer, era outra coisa: tentar alinhavar umas duas ou três idéias, soltas decerto, a respeito das posições de Bento XVI. Terei de deixar para o próximo texto.

Escrito por Fabio às 07h27 PM.

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Atenção!


Informamos aos insignes leitores que, graças a um perigosíssimo IEE (Índice de Elasticidade Escrotal) a níveis alarmantes, o nosso único colaborador deste blogue, Fabio Ulanin, doravante chamado apenas de o Autor, por aconselhamento de ilustres especialistas na ciência da escrotoologia, tirará merecidas férias.

 

Foram dois anos de constante escrita, 232 textos, coisa 500 páginas, 11.479 visitas no UOL (desde janeiro de 2004), mais umas 10.000 no antigo, lá no Terra (janeiro a dezembro de 2003) – o que, convenhamos, não é lá grande coisa e, ao nosso ver, o Autor merecia não umas férias, mas ser expulso desta página a dentadas.

 

Ele, o Autor, afirmou lamentar imensamente sua ausência, mas sente-se (segundo suas próprias palavras) “enfastiado e desanimado. Uma coisa meio assim, sei lá, mil coisas”, o que já confirma o diagnóstico dos tais escrotoologistas consultados. Afirmou, também, que voltará. Um dia. Daqui a um ou dois meses. Talvez três.

 

Deste modo, agradecemos aos nossos fiéis leitores (aos infiéis também) sua presença por este longo tempo, e aconselhamos a releitura dos velhos textos do Autor.

 

Atenciosamente,

A Direção



Escrito por Fabio às 01h47 PM.

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João Paulo II


Qualquer coisa que se escreva sobre João Paulo II será insuficiente. Acompanhei os quase 27 anos de pontificado deste homem excepcional – desde os meus parcos dez anos, um moleque em cueiros, quando o vi pela primeira vez na TV abençoando o povo na Praça de São Pedro, pedindo desculpas por ainda não falar bem o italiano. Admirei-o de imediato. Impossível não admirá-lo.

 

Agora, depois de morto para este mundo, vemos duas reações divulgadas: uma, a da comoção que a ausência de um pater causa; outra, a tentativa de se denegrir, uma vez mais, não apenas o seu papado, mas toda a Igreja. A primeira reação é lógica: ninguém convive por tanto tempo com uma pessoa sem sentir profundamente a sua perda, ninguém em sã consciência poderia deixar de chorar aquele corpo que se esvaía a cada dia, aos poucos, num exemplo de Vida, num exemplo de respeito aos desígnios divinos; ninguém conseguiria ficar impassível frente ao homem que tentava falar com seus filhos, desesperadamente, sem o conseguir. Restou apenas o gesto – mas o gesto, silencioso, diz muito mais do que os milhões de palavras que agora são pronunciadas pelos ímpios.

 

O que me leva à segunda reação, aquela que tenta, de toda a forma, denegrir o trabalho de João Paulo II, um trabalho heróico de re-unir as Igrejas em torno de um único objetivo – o da moral cristã em favor do próximo. E denigrem, denigrem toda vez que erguem suas vozes para afirmar que o Papa foi um homem reacionário, ou conservador. Denigrem toda a vez que afirmam que a Igreja deve rever os seus conceitos sobre a sexualidade e sobre a contracepção, denigrem toda vez que afirmam que o Santo Padre “não compreendeu a Teologia da Libertação”. Compreendeu, eu afirmo, e compreendeu de modo infinitamente maior do que desejaria o senhor Boff e muitos dos bispos da CNBB. Compreendeu por que ele sabia – como todos deveríamos saber – que a raiz marxista-revolucionária da tal Teologia da Libertação primeiro não fala em nome de Deus, logo de teologia tem nada ou muito pouco, quiçá apenas a referência logo descartada ao amor ao próximo; segundo, não liberta e sequer promove uma verdadeira libertação, jogando o homem no meio de um mundo materialista que preza apenas um conceito desgastado e mofado de luta de classes. Sim, o Papa compreendeu que, se deixasse os tais teólogos pseudo-libertadores agir à vontade, teríamos, na América Latina, não um novo mundo cristão, mas uma China com suas igrejas católicas “democráticas”, controladas pelo Estado... Denigrem, ainda mais, toda vez que reclamam que a “Igreja não é democrática”. Respondo, usando de citação de memória, com Alceu Amoroso Lima: não, a Igreja não é democrática – ela não pode ser democrática: está acima das democracias, está acima dos sistemas políticos. Ela é guiada pelo Espírito Santo – o que lhe dá maior autoridade.

 

Mas toda a tentativa de destruir seu papado será sempre inútil. Há uma voz, uma voz tremenda, que grita a cada instante: a voz dos homens de boa vontade, a voz não só dos católicos, mas dos muçulmanos, dos judeus, dos budistas, dos ortodoxos, unida em uma só oração, com um único pedido: o da constante busca da Verdade e da Paz. Apenas a união entre toda a humanidade de forma fraterna será capaz de nos salvar.

Escrito por Fabio às 02h23 PM.

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