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Pasárgada


Pensei muito se o título desta nova postagem – mais especificamente: deste anúncio, pois se trata de um anúncio, como o atento leitor verá daqui a pouco – não deveria ser “família vende tudo”, como tem sido moda por estas terras paulistanas. Mas deixo mesmo o “Pasárgada” aí em cima por dois motivos: um, é mais direto e remeterá o leitor de fino gosto ao poema de Bandeira; dois, a família não vende tudo, mas apenas alguns tantos livros que se acumularam com o passar dos anos e outros tantos recém-adquiridos para este fim específico.

 

Explico, explico. Este negócio de longas introduções não é coisa muito objetiva – e por isso, quiçá, não resultou em grande coisa minha carreira publicitária, mais dada às objetividades e obviedades. Eu gosto de espaço, de me esparramar pelo texto, de abrir os braços do estilo e aspirar o ar das imagens e das idéias. Sou espaçoso, mesmo para escrever um anúncio. Logo: explico.

 

Explico que a situação está duríssima, como todos sabem; e que a minha meia dúzia de aulas dá, quando muito, para sobreviver assim-assim; e que revisões aparecem, mas são, o mais das vezes, entediantes, enchendo-me de spleen e irritação. Uma saída: fazer o que se gosta – e eu gosto de livros. Como não consigo publicá-los posso... vendê-los!

 

E assim surgiu a Pasárgada Livraria (compro e vendo livros novos e usados, diz o folheto que ando distribuindo por aí), uma forma de trabalhar agradavelmente cercado de livros, falar cotidianamente de livros, circular pela cidade à procura de livros, ler e ler e ler muitos outros livros. Acervo modesto, mas de qualidade.

 

Quem quiser o catálogo é só escrever para livrariapasargada@yahoo.com.br - que o enviarei.  E – claro, isso é muito, muito importante – conto com os meus seis leitores para a divulgação. E para a compra de uns tantos volumezinhos.

 

***

Eu ia, hoje, escrever sobre outra coisa – uma resposta a um curioso leitor, irritadiço e hidrófobo, de nome Samuel Rezende, lá dos confins de Jacira, Mato Grosso, que deixou um comentário lá no posto Mas Como Falam! 3, de 02 de maio passado. Mas minha livrariazinha, ou meu sebo, parece-me muito mais importante. Chuto o sujeito outro dia. Mas leiam o comentário – vale a pena seja para rir da capacidade humana em cultivar ódios sem fim, seja para lamentar a cegueira que tem regido uma boa parcela desta mesma humanidade...

Escrito por Fabio às 04h29 PM.

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Quem precisa de cupuaçu?


Não sou dado a assistir tv por motivos muito simples: um, o jornalismo anda mal das pernas, comprometidíssimo com as vozes obtusas do (des)governo que nos rege e qualquer crítica que seja feita é, invariavelmente, leve demais, breve demais, tacanha demais; dois, pura falta de paciência, na medida em que um hora na frente do aparelho faz com que me sinta mais burro – sempre há um livro para se ler; três, acabo com uma irritação ímpar, incapaz de outra reação a não ser a baba hidrófoba. Mesmo: a pressão chega a subir, sinto palpitações, minhas mãos tremem. Um quase-surto.

 

Ainda mais quando a mídia resolve aderir às campanhas do tipo “ame-o ou deixe-o”. Não consigo compreender a febre nacionalista que sempre nos tomou, há décadas, e continua inabalável. Quando menino escutava a tal copa do mundo é nossa, sou brasileiro, não há quem possa; depois roubaram a taça e a derreteram. Aliás, roubam de tudo e derretem tudo, inclusos aí nossos pobres e parcos neurônios, tão passivos por natureza. Há uma malemolência que nos guia, um ai que preguiça macunaimesco, uma camaradagem que nos faz acreditar em tudo – até que nós somos capazes que nos tornar uma nação.

 

Hoje, mais velho, escuto bravatas iguais, sou brasileiro e não desisto nunca, o que significa o mesmo que dizer bate, bem, bate mais que eu gosto. O brasileiro típico é mulher de malandro: quando reclama, o faz para a vizinha de bobes na cabeça, por cima da cerquinha de madeira; assim que escuta o brutamontes do marido chegando, volta rapidamente para o fogão pela porta dos fundos. Ah! eu sofro tanto (dizemos nós), se eu soubesse que ia acabar assim... mas eu amo ele, fazer o quê? E tomemos pancada pelos impostos, pelas taxas, pelo desemprego, pelas filas nos hospitais públicos, pela falta de uma educação decente, pelos bárbaros que foram eleitos por nós. E tomemos porrada pelo discurso otimista, pela maquilagem dos índices de inflação e de emprego, pelo orgulho que sentimos em sermos, todos, tolos, brasileiros.

 

O nacionalismo é uma perversão. Como toda perversão, perigoso. Um nacionalista é capaz de se obnubilar completamente em nome de uma idéia, por mais tola e vaga e fútil que seja – e esta Idéia, deusa vulgar e faceira dos prostíbulos ideológicos, acaba, sempre e sem variações, em palavras de ordem autoritárias que nos privam da mínima condição de racionalização e ponderação de valores. Recrudesce, agora, uma Idéia velha e decadente, saída das bocas da rua Aurora: a Amazônia é nossa.

 

Nossa de quem, cara pálida? Nossa, dos índios – as tais politicamente corretas etnias – que contrabandeiam madeira nobre para a Europa e estados Unidos, protegidos pela lei? Nossa, que não temos condições de evitar um desmatamento tamanho que prejudica não a nós mesmos, mas ao mundo todo em seu parco equilíbrio? Nossa, que não temos a menor preocupação de catalogar espécies, conhecermo-nos intimamente, buscando os recursos naturais que poderiam ajudar a salvar vidas? Nossa, que sequer sabemos o que fazer com aquilo tudo, que mal conseguimos controlar as fronteiras para evitar a entrada de drogas de toda a espécie, além dos grupos de guerrilha de nossos “irmãos”, os amiguinhos de Brasília?

 

Minha, pelo menos, conscientemente, não é. Que seja território internacional, que seja controlada por forças mundiais, que seja seriamente estudada e medida e preservada. Que ela, a Amazônia que tanto amamos e desprezamos – pois nos amamos e desprezamos a nós mesmos – seja entregue com gosto àqueles que têm condições e seriedade para fazer o que é certo.

Escrito por Fabio às 01h38 PM.

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Paul Johnson


escreveu, n’Os Intelectuais, que Sartre lia 300 livros por ano. Frustrante – não pela quantidade de livros lidos, que é respeitabilíssima, mas pelo fato patente que se tira do exemplo: por mais que uma pessoa leia, por mais que se dedique à árdua tarefa de decifrar o pensamento alheio, ainda assim ela pode nunca atingir aquele grau tão desejado de erudição. Sartre foi isso, um homem que desejava ser visto como grande erudito e o conseguiu, não pela qualidade efetiva de seu pensamento: atingiu o tão almejado fim graças a uma belíssima auto-promoção às custas de colegas de cátedra que combatiam o nazismo enquanto ele, o anão vesgo do existencialismo, aproveitava as oportunidades que se lhe abriam na Sorbonne.

 

Mas não vou perder meu tempo escrevendo sobre Sartre e sua escrava sexual, Simone —  que era, diga-se, infinitamente superior em matéria intelectual. Nem mesmo a respeito de Paul Johnson, apesar de ser um tema não carente de interesse e que serviria, inclusive, para o exemplo dos bons e horror dos tolos. Aliás, uma historieta ilustrativa: semana passada, ainda, um jovem aluno me procura no intervalo: queria uma indicação de algum livro, algum texto, que elucidasse o marxismo que ele aprendia em determinada aula, semana após semana, sem se convencer de todo mas não resistindo aos encantos do arauto do horror e sua mais-valia e suas palavras de ordem. Sugeri a leitura d’Os Intelectuais: há, ali, um dos melhores capítulos a respeito da farsa de Marx que já li nesta tão curta vida (tanto a ler para tão curta vida, Camões que me perdoe a destruição do verso). Em volta, outros professores, olhinhos arregalados: “Paul Johnson? Você indicou Paul Johnson? Mas ele é um péssimo historiador! É um falsário intelectual! Não é sério!” e outras arrebatadas exclamações iracundas, o que só vem a comprovar o que penso: quando a Academia e seus digníssimo representantes espumam hidrofobamente contra um autor é porque vale a pena lê-lo. Não sei se meu aluno foi à caça do livro. Eu providenciei uma cópia do artigo, pelo menos...

 

Certo, confesso que sinto uma pontinha de inveja ao saber que Sartre lia os tais 300 volumes anuais, mas minha inveja pára por aí. Não sei ao certo quantos livros eu leio — computei 36 até agora neste ano de 2005. Alguns que valeram a pena, deleitosamente; outros, pela obrigação acadêmica, aulas a se preparar, Shakespeare a ser mais bem conhecido, então tomamos doses maciças de Harold Bloom, nada a fazer; outros, ainda, pelo prazer próprio, egoísta e pessoal; alguns outros pelo simples não-fazer nada mais a não ser entregar-se à curiosidade de um determinado livro, que ficaria por ali, na estante, abandonado, caso não fosse o tédio televisivo.

 

Leio, consecutivamente, três ou quatro livros. Cada um para um determinado momento, com um determinado fim. Há aquele volume especialíssimo que deve ser não lido, mas estudado, anotado, ponderado. É o caso de A Educação segundo a Filosofia Perene — orientação para pais e mestres segundo Tomás de Aquino e Hugo de S. Vitor, um dos melhores livros que li nos últimos anos, que está aqui ao lado, à mão, enquanto escrevo, esperando que eu termine mina tarefa para retomar a leitura.

 

Há outra espécie de livros, que eu chamo circulantes. São Paulo tem uma qualidade, pelo menos: distâncias enormes a serem percorridas e trânsito infernal, o que possibilita, no sacolejar do ônibus, a minha entrega ao Cartas aos Homens do Papa Celestino VI, de Giovanni Papini, belo romance sobre um papa inexistente. A vida em transportes coletivos é utilíssima: como a cidade é feia de doer, as paisagens livrescas sempre resultam em boas coisas.

 

A terceira espécie é mais específica e objetiva. Um livro que esteja, de algum modo, envolvido a um projeto ou à vida profissional. Leio-o sempre no trabalho, antes das aulas, buscando uma ilustração, um trecho que pode ou não vir a ser utilizado no dia. As Confissões, de Agostinho, têm-me acompanhado na última semana.

 

Dói-me apenas a idéia, terrível, que uma existência única é pouca para tantos livros. No Paraíso deve existir uma Biblioteca, a Grande Biblioteca do Universo, eterna e infinita, onde poderemos nos recolher e nos deleitar.

Escrito por Fabio às 04h12 PM.

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Todos devemos colaborar


com as idéias de caráter social do nosso governo, afinal elas e ele visam apenas uma aproximação mais íntima entre todos os grupos sociais, entre os tais excluídos e os poderosos, diminuindo assim a luta de classes que nos rege nestes últimos 500 e algos anos. Não compreendo, de verdade, a razão do escândalo entre o vasto público pela publicação da Cartilha do Politicamente Correto – até João Ubaldo Ribeiro, do alto de sua bahianidade tranqüila, alterou-se. E quando um bahiano se altera é porque a coisa está muito, muito feia.

 

Então vejamos: o governo pretende que o negro não seja negro, mas afro-brasileiro, mesmo que ele tenha nascido não no centrão de Angola numa tribo perdida, mas aqui mesmo ao lado, no Bixiga; quando muito o negro pode ser preto, o que me parece estranho, já que ele não é nem uma nem outra coisa, mas enfim. Chamar o negro de negão também não pode, é pejorativo; nem de neguinho; minha nega nem pensar. Uma sapatão não é mais sapatão, uma bicha não é mais bicha, nem veado – são todos, agora, lindos e borboleteantes gays. Ladrão é uso absurdo! Ladrão que é ladrão tem de ser chamado de algo como “homem que se apossa indevidamente do bem alheio”; o corrupto que, segundo a cartilha é apenas o rico, também se apodera do bem alheio, mas em vulto muito maior. Bastam de exemplos – vamos à colaboração:

 

Não se deve chamar mais uma pessoa de burra por causa de sua carência intelectual (é muito feio). Há uma forma mais leve, delicada e que, ainda por cima, presta uma homenagem a um dos ídolos da nossa gente: lula. (P. ex.: Vai ser lula assim lá longe).

 

O chefe que ama o poder de mando, o autoritarismo, não pode mais ser chamado de tirano ou ditador. Pode-se usar o termo mais agradável zédirceu. (Fulano? Ah, é um zédirceu!). Se ele apresenta apenas e de vez em quando uma tendência ao autoritarismo, pontual, pode-se falar: O Fulano zédirceou...

 

Quadrilha igualmente é um termo pejorativo, na medida em que afeta diretamente a tradição interiorana das festas juninas onde crianças formam quadrilhas para dançar. Chamar, deste modo, um agrupamento de ladrões (epa! de homens que se apossam indevidamente do bem alheio) de quadrilha ofende às pobres criancinhas e suas juninices. Deve-se, para o bem da nação e da paz entre os homens, chamá-la de petê. Veremos nos jornais: O petê comandado por Zezinho do Apito seqüestrou mais uma pessoa... Ou então: O deputado Jatobá de Alaíde, de tendências zédirçaicas, foi detido ontem sob acusação de formação de petê...

 

Incompetente, além de ofensivo, pode afetar de forma direta alguns atletas que não competem por diversas razões – falta de preparo físico, puro azar, ou outra razão qualquer que não e ocorre agora. Não devemos nunca, em hipótese alguma, chamar um político, o prefeito da sua cidade, por exemplo, de incompetente. Prefira-se o termo mais agradável “marta”. P. ex.: O José Serra tem se revelado marta em sua gestão.

 

Apenas algumas poucas colaborações para com o nosso amado governo. A Cartilha tem a sua utilidade pública inquestionável. Um anão não é mais anão, mas “verticalmente prejudicado”. Quem tem pinto pequeno é o quê? Horizonalmente prejudicado?

Escrito por Fabio às 01h32 PM.

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Mas como falam! (3)


“A liberdade da Igreja exprime a própria independência do Verbo Encarnado. Como resultado, o primeiro princípio geral que deve ser estabelecido [...] é a liberdade da Igreja de ensinar e pregar e cultuar a liberdade do Evangelho, a liberdade da palavra de Deus.”

(Jacques Maritain. O Homem e o Estado. Rio de Janeiro: Agir, 1959)

 

O processo de escrita desgasta – e começo a entender o porquê desejei as férias, com um pequeno arrependimento de ter retornado tão cedo. Mas se por um lado o dolce far niente era agradável, por outro havia um grito de urgência, interno é certo, obrigando-me a voltar à prática da escrita. “Tem acontecido coisas demais (dizia o meu grito) para que fiques aí calado, deliciando-se egoistamente com suas leituras!” Obedeci, obedeço, sentindo o peso das palavras às costas, lutando contra a preguiça...

 

Desgasta-me mais saber que perdi dois textos discorrendo sobre Boff, coisa que não queria e não desejava inflingir aos meus leitores. Mas todas as idéias que agora jorro no editor de textos vieram exatamente daí – desta presença incômoda e da deturpação, do desvio, que fazem a respeito de Bento XVI. Tendo falado sobre o orgulho e, depois, sobre a base gramsciniana da teologia da libertação, ainda que de modo bastante fugaz (sequer tenho pretensões de aprofundar qualquer desses assuntos um dia), resta lançar nosso olhar, nosso olhar de eterna claridade, como escreveu Baudelaire, sobre um ou dois outros aspectos mais que discutidos nos últimos dias.

 

Um, é a força que tem sido feita para tentar, a todo o custo, curvar os dogmas da Igreja à vontade humana. Dizem estes arautos do desespero que a Igreja Católica precisa rever os seus conceitos sobre o aborto, a eutanásia, o casamento gay e o uso de preservativos, sem contar o casamento de padres e o direito às mulheres pregarem. E lamentam, profundamente, que tenha sido o Cardeal Ratzinger, um alemão ainda por cima (e não, oh! dor! oh! lamentação! um latino-americano ou um africano), prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, a – abre aspas, pois é citação repetida incontáveis vezes – antiga inquisição! – fecha aspas. Este fato é, por si só, já visto como um aspecto ultra-conservador do novo Papa. Mas, propositadamente, esquecem a mídia, os jornalistas e o senhor doutor teólogo Leonardo Boff (para não deixá-lo ali esquecido e sozinho nos dois primeiros textos) que foi exatamente o cardeal Ratzinger que abriu as portas do arquivo secreto da Igreja onde eram guardados todos os documentos sobre a Inquisição e o Tribunal do Santo Ofício! É, para dizer o mínimo, uma forma curiosa de conservadorismo e controle ideológico sobre informações da Igreja. É a primeira vez que alguém deseja guardar um segredo divulgando-o abertamente; é o único caso de dominação ideológica da consciência de pobres vítimas de crueldade tirânica a partir da revelação completa e absoluta de um passado incômodo.

 

Mas voltemos às questões elencadas logo ali acima. Curiosa pretensão, a de desejar que o cristianismo mude sua doutrina para melhor se adequar às necessidades do homem. Curiosa necessidade, esta de defender com unhas e dentes a extrema liberdade humana, sem olhar para a liberdade verdadeira que significa a defesa incondicional da vida, a todo o custo. Querem que se reescreva a Bíblia sob o ponto de vista meramente humano para que não haja nenhuma contradição entre o meu desejo mesquinho e egoísta com os planos divinos... Em nome do hedonismo, o homem vê a Lei de Deus como uma regulamentação de um estado qualquer: se a lei já não se insere nas minhas necessidades, muda-se a lei. Isto é o que vemos todos os dias à nossa volta: se a taxa do Imposto de Renda já não serve mais para alguns interesse, basta uma nova votação, uma nova lei que altere a taxa; se as mulheres provocam o aborto pelo simples fato de não desejarem filhos, cria-se uma lei afirmando que elas podem matar inocentes. Esta é a lei humana – que pode, e deve, ser debatida democraticamente, ouvidas as partes todas, medidos os interesses todos. Mas a outra Lei, a Lei Divina, não se mede pela nossa vontade e sequer pelo nosso desejo. É uma Lei fixa e imutável, existente desde os princípios dos tempos até a eternidade. O homem não tem condições de alterar esta Lei, assim como não tem condições intelectivas para discuti-la e ponderá-la. A Igreja é a detentora não desta Lei, mas da chave para a sua compreensão. E é uma chave que abre as portas para a civilização.

 

A Igreja é civilizadora pela sua permanência. E Ratzinger, nosso Bento XVI, é a consciência do Corpo Místico para a preservação da humanidade.

Escrito por Fabio às 01h39 PM.

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