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Poucas e Boas


Não se tratam de frases extraídas de vestibulares deste brasilzinho afora (ou adentro), nem sequer ditos geniais de vosso persistente presidente ou asseclas com maior ou menor grau de língua plesa. Tratam-se, apenas, de uns poucos exemplos daquilo que nós, míseros professores, temos de aturar em final de semestre.

Escolham a sua!

 

“O homem tem medo da morte porque, de todo mundo que aqui nasceu, aqui morreu”.

 

“Machado é um padeiro lá da minha cidade, Assis. Por isso ele é chamado Machado de Assis. Mas eu não sei se ele escreveu alguma coisa; só sei que faz contas e uns pães muito bons”.

 

“Machado nasceu em Assis, cidade mineira fundada no século XIX por Assis Chatobriam, dono da Globo. Além de dono da Globo, ele é o famoso cozinheiro que inventou o molho chatobriam. [...] Mas voltando ao assunto: Machado era amigo do Catobriam, que o contratou para escrever várias novelas de sucesso no horário das oito, depois do jornal. Mas eu não sei quais eram porque eu não gosto de novela.”

 

“O amor ocorre no coração que, como se sabe, é dividido em dois quartetos e dois tercetos”.

 

“Getúlio Vargas deu o golpe de 1964, depois que aquele outro presidente que gostava de pinga se suicidou.” (E, creio eu, de um centro espírita...)

 

“A diferença entre tragédia e comédia é que a comédia é alegre, como quando a gente diz: “O cara é o maior comédia”; mas a tragédia é triste, como quando acontecem aqueles furacões e morre um monte de gente.”

 

“A tragédia aconteceu mesmo com Sófocles, que matou o próprio pai num acidente de trânsito. Isso aconteceu há muito tempo, na época que os gregos falavam.”

 

“A cultura de bactérias acontece na cabeça das pessoas inteligentes. São elas que levam o pensamento de um lado para outro do cébero.”

 

“Física é um negócio muito importante para todas as pessoas, assim como a Educação Física, que permite que as pessoas calculem os passos que vão dar e não trombem umas com as outras na rua.”

 

“A Idade Média era uma época onde as pessoas só comiam café com leite e pão com manteiga; mas era muito melhor que hoje, pois quando a gente pede uma média, só vem o café com leite.”

 

“Os nossos cinco sentidos são a boca, o esôfago, o estômago, os intestinos e o ânus. A boca pra gente sentir o gosto, o esôfago pra gente sentir arder quando tem Ásia, o estômago que fica cheio de gás quando come muito e incomoda, os intestinos pra ficar mexendo quando dá vontade de ir no banheiro e o ânus que dá uma sensação de prazer depois de tudo que sentimos nos quatro primeiros sentidos.”

 

“Van Gogue era um músico que, de tanto tocar de ouvido, acabou perdendo um.”



Escrito por Fabio às 02h16 PM.

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Sempre me sentia,


quando garoto, vazio ao terminar um livro. Tinha a clara sensação de que o mundo no qual vivia me fora roubado, que o ponto final da última página era a linha que dividia a minha vida da morte de um universo. Olhava em torno e à volta estavam pessoas preocupadíssimas com a realidade – com a sua realidade ínfima e infinitesimal do cotidiano, o repetitivo e angustiante cotidiano. A vida, então, parecia-me um horror que, só descobri depois, tem tudo a ver com o eterno retorno não de Platão mas de Nietszche. Eu queria continuar lá, no universo que fora criado só para que eu pudesse habitá-lo, cercado de gente interessante & inteligente & bonita & de bom gosto & heróica. Não, não importava o que eu lia (esta a minha confissão), desde que me fizesse viver.

 

Por isso que nunca gostei da tal literatura engajada, das suas cores sociais tingidas em vermelho-maniqueísta. Antes de jogarem Zola na minha cara, desvio-me dizendo que os carvoeiros dele são mais carvoeiros do que estes retratados no fotojornalismo – e o são por uma razão muito simples: suas vidas não se repetem nunca, encerram-se na página 300 graças à seleção que o autor fez. Narrar a vida de um carvoeiro é a coisa mais chata do mundo, mergulhar na sua realidade é tedioso porque repetitivo. Certo, admito que Zola escreveu pensando na realidade observada – mas como a melhorou! O mesmo vale para qualquer autor digno deste nome. Excluídos estão aqueles que acham que a literatura deve fundamentar-se exclusivamente nos fatos apresentados pelo cotidiano, numa ânsia de perpetuar, por meio das páginas do livro, aquilo que os leitores vivem todos os dias.

 

O mal está no leitor, sei bem disso. O leitor comum – essa hidra que nunca se curva ao gosto e ao senso estéticos e que se alastra – lê aquilo que ele já conhece. Sente-se seguro vendo meninos de rua iguaizinhos ao que tem na porta do escritório, alivia-se ao ler falas que reproduzem suas conversas no botequim na hora do almoço, ama os bandidos que sofrem no falecido Carandiru porque o jornal que assistiu disse que eles sofrem mesmo, de verdade, se encanta com o sentimentalismo piegas de um amor adolescente porque ele lembra de como foi o seu primeiro amor adolescente e tenta mantê-lo a todo o custo. Não é um leitor ingênuo – é um leitor tolo. Não sente vazio algum ao terminar o que lê, pois não há diferença, não há limite entre o livro e sua vida. Portanto, não sente prazer algum. O livro faz parte da sua redundância.

 

Continuo espantado com os mundos que habito. Continuo sentindo o vazio quando eles cessam de existir na última página. Continuo adiando a leitura dos últimos instantes, diminuindo o ritmo e deixando os olhos percorrerem cada palavra – tento eternizar o universo no qual vivi. Ainda tenho aquele garoto e as suas reações em mim: ao lado está o horror, nas páginas do livro estou eu.

 

Um universo sempre pronto a continuar a existir.



Escrito por Fabio às 07h57 PM.

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Subnutrição


Universidade é para formar elites, e não para dar diploma para pé-rapado. A afirmação é do Paulo Francis, em um momento em que a febre das universidades não havia, ainda, atingido este ponto crítico no qual vivemos hoje, colocando em risco a saúde (mental) dos pacientes; lá pelos idos de 80, bem no finalzinho da década mais chata da história (a década de 90 foi a mais imbecil; a de 70 a mais besta; a de 60 a mais bobinha), já se começava este incentivo à plebe rude e ignara para “ter diploma”, como se ser possuir de um papelucho pendurado na parede da sala signifique, mesmo, grande coisa.

 

Aliás, o diploma – ou O Diploma, como é dito em altos brados por aí – substituiu, nas salas das casas, aqueles reproduções de quadros famosos que vinham junto com as revistas Caras. Ambos têm o mesmo valor: de mau gosto e decorativos, já que, nem em um caso nem em outro, a feliz família sabe exatamente para quê, afinal, serve aquilo. No mais das vezes, nem o diplomado, que passou quatro anos enfurnado numa sala de aula com a ligeira impressão que aquele sujeito ali na frente, metido numa roupa um tiquinho desleixada e atrás de uns óculos grossos, não dizia nada que tivesse sentido. “Não consigo entender nada do que ele diz...”, murmura no boteco logo ali ao lado. Depois vai pegar os xérox por desencargo de consciência e para mostrar para a família, orgulhosa, que tem de estudar e olha só quanta coisa eles dão lá pro meu filhinho... é demais, ler tanto assim! Quem lê muito acaba ficando louquinho, né filhinho? As cópias acabam, invariavelmente, empilhadas sobre a escrivaninha, ao lado do computador, MSN à toda.

 

O negócio é o seguinte, e a lei é velha, uma anciã respeitável: universidade é para quem gosta de estudar. Ponto. Quem não tem aptidão pode fazer outra coisa, como ganhar dinheiro, que é uma forma honesta de se viver. Escutei aí no fundo que o que digo agora revela intolerância e preconceito. Que todos têm direito à universidade, todos devem ter a chance de continuar os estudos, que todos etc., aquela balela toda. Lamento, lamento, meu senhor, mas isso é ilusão. Universidade é para elites – mas elites intelectuais, de modo que qualquer um que tenha condições pode, e deve, segui-la, na carreira que bem entender. Independe a sua condição social, sua raça, seu credo, o raio: uma mocinha que viveu toda a vida numa favela da periferia, se tiver condições suficientes para pensar, está dentro. O rapaz riquinho nascido nos jardins, se for um completo idiota (todos os idiotas são completos, nunca há gradação, nunca há alguém “um pouco idiota”: idiotice é absoluta, sempre), está fora. Esta a elite de que fala Francis – a mesma, aliás, de que falava Ortega y Gasset.

 

Estudar exige esforço, uma espécie de exercício espiritual. Um subnutrido intelectual, mergulhado nas infindáveis modas televisivas, que conhece de cor os pagodes e os raps da vida, para quem o conceito de diversão é batucar numa mesa de boteco e o conceito de cultura é “estar informado” (e por isso assiste Cidade Alerta), não pode estar numa Universidade.

 

O subnutrido é aquele sujeito que se diz “homem do seu tempo”, com orgulho, e despreza toda a tradição do passado. O subnutrido é aquele que tem uma visão imediata e imediatista das coisas. O subnutrido tem mau gosto. O subnutrido é a pessoa que ergue as bandeiras mais tolas e defende as minorias, pois é preciso “fazer alguma coisa” de prática para resolver os problemas. O subnutrido é um coletivista. Encontra-se com outros subnutridos para matar o indivíduo. Acredita que cada um tem a sua verdade e diz que respeita a dos outros, desde que concorde com a sua. O subnutrido chama de intolerante quem não segue as suas normas. Rotula que “direita”, “reacionário”, “conservador” quem alimenta o espírito e busca a Verdade em si. O subnutrido intelectual é um tiranete de república de bananas, como esta em que vivemos.

 

O subnutrido é o pé-rapado – mas é ele quem, hoje, coordena as coisas, de dentro dos gabinetes.

 



Escrito por Fabio às 08h22 PM.

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A Face de Marx


(Um breve trecho, apenas, que revela a gentil e cândida ternura do profeta das mazelas deste nosso mundinho)

 

“A sugestão de violência, sempre presente no marxismo e demonstrada com freqüência pelo próprio comportamento dos regimes marxistas, representa uma projeção do temperamento de seu criador. Marx passou sua vida num ambiente de extrema violência verbal, onde periodicamente ocorriam brigas e, às vezes, ataques físicos. As brigas na família de Marx foram quase a primeira coisa que sua futura esposa, Jenny Von Wesrphalen, percebeu a seu respeito. Na Universidade de Bonn, a polícia o prendeu por possuir uma pistola, e ele por muito pouco não foi suspenso; nos arquivos da universidade, aparece por ter-se envolvido em conflitos estudantis, disputando um duelo e se cortando no olho esquerdo. Suas brigas com a família entristeceram os últimos anos da vida do pai e acarretaram, por fim, uma ruptura definitiva com sua mãe. Numa das cartas mais antigas de Jenny que foram conservadas, se lê: “Por favor, não escreva com tanto rancor e irritação”, e fica patente que muitas de suas incessantes desavenças se deviam às expressões violentas que costumava usar quando escrevia ou, mais ainda, quando falava, e nesse último caso a situação era, no mais das vezes, agravada pelo álcool. [...]

De fato, Marx gastava grande parte de seu tempo compilando dossiês minuciosos sobre seus rivais e inimigos políticos, os quais ele não hesitava em apresentar à polícia se achasse que lhe seria útil. As grandes brigas públicas, como por exemplo no encontro da Internacional em Hague, em 1872, prenunciava os réglements des comptes (acertos de contas) da Rússia soviética: não há nada no período de Stálin que não estivesse prefigurado, de uma grande distância no tempo, pelo comportamento de Marx. Às vezes, havia de fato sangue derramado. Marx foi tão ofensivo durante sua briga com August Von Willich, em 1850, que este desafiou-o para um duelo. Marx, apesar de ter sido duelista no passado, disse que “não se envolveria nas brincadeiras dos oficiais prussianos”, porém não fez nenhuma tentativa de evitar que seu jovem assistente, Konrad Schramm, tomasse o seu lugar, embora Schramm nunca tivesse usado uma pistola na vida e Willich fosse um atirador excelente. Schramm foi ferido. O padrinho de Willich nessa ocasião foi um aliado particularmente perigoso para Marx, Gustav Techow, merecidamente odiado por Jenny, o qual matou pelo menos um companheiro revolucionário e acabou sendo enforcado por assassinar um oficial da polícia. O próprio Marx não era contra a violência ou mesmo o terrorismo quando se adequavam a sua tática. Dirigindo-se ao governo prussiano em 1849, fez a seguinte ameaça: “Nós somos impiedosos e não queremos nenhum centavo de vocês. Quando chegar a nossa vez, não vamos reprimir nosso terrorismo”. No ano seguinte, o “Plano de ação” que ele tinha distribuído especificamente na Alemanha estimulava a violência do populacho: “Longe de sermos contrários aos chamados excessos, aqueles exemplos de vingança popular contra construções particulares ou públicas que têm passado detestável, temos de não apenas perdoá-los, como também cooperar neles”. Em certas ocasiões, quis defender o assassinato, contanto que fosse eficaz. Um companheiro revolucionário, Maxim Kovalevsky, que estava presente quando Marx recebeu a notícia de uma tentativa fracassada de assassinar o imperador Guilherme I no Unter den linden, em 1878, recorda a fúria de Marx, “cobrindo de maldições esses terroristas que tinham falhado em executar sua ação terrorista”. Parece certo que Marx, uma vez estabelecido no poder, teria sido capaz de grande violência e crueldade. Porém, é claro que ele nunca esteve em condição de levar a efeito uma revolução em larga escala, violenta ou de qualquer outro tipo, e por esse motivo sua raiva recalcada se refletiu em seus livros, que sempre têm um tom de intransigência e extremismo. Muitas passagens dão a impressão de que foram realmente escritas em estado de cólera. No devido tempo, Lênin, Stálin e Mao-Tsé-tung puseram em prática, numa imensa escala, a violência que Marx trazia em seu íntimo e que transpira em sua obra”.

 

(in Paul Johnson. Os Intelectuais. Rio de Janeiro: Imago, 1990, pp. 82-84)

 

***

A se pensar, pois não?, neste nosso governinho que apóia eme-esse-tês da vida e balbúrdias anti-bushistas. A se pensar, pois não?, nas Heloísas Helenas e P-Sóis, em Aldos Rebelos e PCs, em Dirceus e camarilhas.



Escrito por Fabio às 01h43 PM.

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Do Além


(Mensagens digitografadas pelo médium Fabio Ulanin)

 

“Filhinhos: que a paz esteja convosco. Mas alguém pode, com a piedade do Criador, me explicar com que direito falam em meu nome? Não é por nada não, mas me colocaram de cabeça para baixo no meio de uma arena... Um pouco de respeito não vai mal para ninguém.” (Paulo)

 

“Olha, estou cansado disso. Escrevi obras que se tornaram referências para o mundo da Arte e da Literatura. Por favor, parem de publicar essas bobagens em meu nome, sim?” (Victor Hugo)

 

“Não, não estou em Marte. Nem em Júpiter, nem em Saturno, em lugar algum desses. E – sim, existem espíritos no Sol. Mas são todos tostadinhos.” (Apolo)

 

“Não bastasse eu ter sofrido como o diabo, comido o pão que o próprio amassou? Minha mulher ficou louca, meus filhos morreram todos, vivi de ajuda de amigos, escrevi belos poemas – e agora vocês atribuem qualquer bobagem em meu nome? Nem aqui terei paz?” (Cruz e Souza)

 

“Olhe, faça-me o favor de avisar esse Gasparetto de parar de me imitar. Minhas obras deram um trabalho insano – e vem esse sujeitinho jogar tinta nas telas e fazer borrões que qualquer orangotango consegue? Poupem-me, dessa vergonha, sim?” (Manet)

 

“Gasparetto diz que me recebe? Sei bem o Picasso que ele gosta!” (Pablo Picasso)

 

“Este vôo cego

misto ego e morcego

mito meto mega lego

vôo ergo

o amor é cego” (Paulo Leminski)

 

Pelas portas do coração é a puta que o pariu!” (Lucius)

 



Escrito por Fabio às 02h06 PM.

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Bem-Vindo, Bush!


Quem me acompanha há algum tempo sabe que gosto de ser do contra. Ainda mais quando a barbárie se instala quase à porta de casa, com o pessoalzinho do PCdoB (do ilustríssimo Sr. Aldo Rebelo), da Une-dune-tê-salamê-mingüê, da CUT, do P-Sol da sra. Heloísa  Histérica Helena, do Eme-esse-tê resolvem fazer das suas, todos juntinhos, depois de assistir na te-vê os conflitos em Paris. Tem gente que deglute mal informações – e, ao ver franceses queimando carros, pensam “oba, meia-oito voltou, que saudade” e tentam, imediatamente, fazer barricadas na Av. Paulista e depredar o Banco de Boston, tudo com a desculpa de fazerem parte de um movimento contra o Sr. Presidente Norte-Americano, George Bush, o Júnior. Depois reclamam da tal “brutalidade” da polícia e suas bombas de gás e balas de borracha e uns cassetetes distribuídos a torto e a direito. Então, resta-me ser do contra, sempre.

 

Não compreendo esta ânsia que a esquerdinha panaca têm em gritar “Fora Bush” por aqui, quando bem à frente de nosso nariz temos um exemplo bem pior: vosso presidente da republiqueta. Só volto a acreditar na esquerda quando ela tiver culhões para tentar expulsar LuLLa e asseclas do Planalto a dentadas. Mas não: preferem mantê-lo, impávido colosso arruinado, com o seu eterno sem-saber de nada.

 

Então, seja-bem vindo, Bush, a esta terra de tolices. Bem-vindo ao país das doutrinas furadas, ao paraíso das nulidades intelectuais. Só tenho uma pergunta: quer que embrulhe ou vai comer agora?



Escrito por Fabio às 02h38 PM.

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A arte da redundância


Há coisa de dois anos escrevi um pequeno artigo no meu blogue a respeito do romance Ensaio sobre a Lucidez, então o novo lançamento de Saramago. Na oportunidade usei uma expressão que ainda hoje considero justa: “Saramago de volta. Como de volta, perguntarão alguns leitores, se ele nunca foi?”. Verdade, verdade: o Nobel português aeroporta por estas bandas da terrae brasilis com muita freqüência – e a cada passagem é um festival da mídia, uma afluência de pessoas para as palestras do homem, um amontoado de entrevistas nas quais ele reafirma, com insistência, o seu pessimismo e o seu desgosto para com a democracia e, desta vez com uma nota a mais, para com este governinho lulóide. No mais, as novidades que traz são parcas e poucas, para não dizer moucas.

 

Explico: li todo o Saramago, até com certo prazer. Duas das obras que mais me impressionaram foram o Memorial do Convento e o Ano da Morte de Ricardo Reis. As demais, até o Ensaio sobre a Cegueira, saberam-me bem: tinham lá suas variações e oscilações, mas nada que pudesse prejudicar uma história bem contada. Depois disso, porém, seguiram-se alguns romances ilegíveis ou apenas tolos: Todos os Nomes cansa e arrasta-se por coisa de 200 páginas sem assombro e surpresas; A Caverna é ilegível e merece um prêmio quem passar da página 50; O Homem Duplicado nada mais é que um filminho B de sessão da tarde. Por esta razão senti-me feliz ao ler o outro Ensaio, aquele Sobre a Lucidez, mesmo que a pena perca sua afiada ponta e o romance se arraste nos últimos dois capítulos. Parecia, mesmo, que Saramago estava de volta – aquele Saramago-nobel, aquele Saramago crítico e feroz (ferino é expressão mais adequada, troquemos então aquele feroz por esta nova e mais sutil palavra). Pura ilusão: aquele romance não passou de uma reação ilusória, como a dos doentes terminais, que enganam os familiares algumas horas antes do falecimento para lhes dar ou falsas esperanças ou angústias maiores, dependendo apenas da herança que deixam. Este o caso do Ensaio sobre a Lucidez: um suspiro mais forte para nos iludir a nós leitores de que poderíamos aguardar novas e boas obras do mestre...

 

Intermitências da Morte é o atestado de óbito literário de José Saramago. Ironicamente o autor cria uma fábula a qual a morte deixa de agir em determinado país imaginário e, a partir daí, as pessoas tornam-se eternas em seu sofrimento. Certo, o tema não é novo – mas qual tema o é? Umberto Eco escreveu, anos passados já, que não há nada de novo a se tratar na literatura, apenas formas diversas para trabalhar os mesmos temas. O problema deste novo romance de Saramago é exatamente este: a forma que ele busca é desgastada e redundante. As peripécias de sua narrativa apenas repetem as questões políticas já trabalhadas nos dois Ensaios que trouxe a lume nos últimos dez anos; as personagens são mecanizadas, obedecendo os liames do autor sem demonstrar a menor autonomia ou a menor veracidade; o papel do poder público é apenas o de sempre: o de um desejo de tirania constante. Não, nada resta daquele Saramago admirável. Talvez o romance tenha sido escrito neste tom de “não há novidades” de modo proposital: a morte da literatura do Nobel ausentou-se e ele, autor condenado a escrever eternamente para contentar um público ávido de repetições, acaba por reescrever incansavelmente as mesmas coisas, as mesmas, as mesmas.

 

Acaso um dia resolvam publicar as obras completas de Saramago, tenho aqui uma sugestão para o último volume, que traria seus cinco romances mais recentes: Os Trabalhos de Sísifo. Mesmo porque, ler suas obras, tem sido similar a carregar morro acima uma pedra gigantesca, sem objetivo, apenas para vê-la rolar morro abaixo – e começarmos tudo outra vez.



Escrito por Fabio às 04h25 PM.

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