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Que cor é a tua?


Antes que o leitor comece a ler este texto, achando que será apenas mais um daqueles testes inúteis que rondam pela net, da espécie “que bicho é você”, “sua outra encarnação”, “que perfume você seria”, “que comida é você” – aviso: não, não é. Se és, amado leitor, destes que se preocupam em demasia com as utilidades das coisas como esses testes, aconselho-vos a não ler o restante do texto ou, pelo menos, procurar outra página nesta imensidão do Multi. Há muitas, várias, demasiadas, sobre tudo e sobre todos, para os gostos mais austeros e para aqueles outros mais, digamos, cotidianos. A cor a qual me refiro é outra, mais cruel e que revela não um doce passatempo, mas o mais absurdo estado de aromas nazi-fascistas-comunas-reacionários que já vi.

 

Pois que vivemos num mundo assim – e este mundo é mera retórica para distrair os espíritos mais nacionalistas. A bem da verdade, deveria dizer: vivemos num País assim, num país que digere mal as novidades da chamada ação afirmativa made in usa, como digerimos mal muita coisa – desde modelos econômicos (quem lembra do fatal “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”?) até doutrinas estéticas (e Mário de Andrade que me perdoe, junto com seus coleguinhas de 22, mas nosso modernismo foi chinfrim, tão chinfrim que só poderia, mesmo, dar num Macunaíma), passando pela música e o teatro e chegando à filosofia. Não há uma área, sequer, neste Brasil, que não seja mal digerida e arde nos estômagos mais sensíveis – não há sal de frutas que chegue. E mal regurgitamos a onda da moda, já estamos, como os antigos romanos da decadência, nos refestelando com outros pastos ainda menos saborosos e rançosos.

 

Refiro-me, claro está, à onda politicamente correta, inaugurada por estas paragens há muitos anos, no tempo em que os intelectuais falavam. Das academias saiu a barbárie, chegou nos movimentos sociais de defesa das tais minorias (e são tantas minorias, tão amplas, com tanta gente – negros, índios, gays, mulheres e coisa e loisa – que estou seriamente pensando em fundar uma o-ene-gê em defesa dos machos brancos heterossexuais, com direito a financiamento público e desfile na Paulista), ergueram-se os seus líderes que, por decorrência, chegaram à política, onde encontraram uns tantos outros imbecis que, na falta de alguma coisa para fazer, resolveram criar leis e baixar portarias e defender a dignidade humana. O passo seguinte, que arrepiou as consciências, foi a tal Cartilha do Politicamente Correto, retirada às pressas de circulação, ano passado. Agora, vem outra idéia genial, que vale um novo parágrafo.

 

A idéia genial, saída das negras esferas cerebrais de um político defensor das causas sociais, é simples e de utilidade que espanta. Cada ficha que nós fizermos – no banco, na loja, na padaria da esquina, nas escolas e igrejas e em qualquer lugar em que se utilizem do famoso cadastro – terá um item a ser preenchido obrigatoriamente: Qual a sua Cor. Pois bem, ali terá uns quadradinhos a serem preenchidos com o fatal xis (vivemos na cultura do xis, também, alimentada por anos e anos de emburrecimento educacional): negro, amarelo, branco, pardo (que, no dizer de Ana, é cor de envelope) ou não declarada. Para que não pensem os leitores ser esta uma idéia futura a ser combatida com calma, conto um caso pessoal, ocorrido inda esta semana.

 

Ao chegar no trabalho, encontrei à minha espera uma ficha, singela, a ser preenchida, sob o título de Cadastramento Docente. Para quem não sabe, os professores cadastram-se no MEC e ganharam um tal Currículo Lates insuportável de se preencher. Cada um de nós é conhecido pelas suas atividades e suas publicações, pelo tempo que leciona aqui ou ali ou acolá, pelas Instituições de Ensino pelas quais passou. Coisas assim – e creio que seja até justa esta preocupação. Não discordo. Cumpro com a atualização do Lates sempre que participo de algum congresso ou sai um artiguinho, por menor que seja, num canto escondido do mundo. Mas este Cadastro Docente, feito a pedido do MEC, é diferente. Consta, apenas, de três questões: Qual(ais) a(s) disciplina(s) que ministra; tempo de experiência docente; e – Qual a sua cor, com os tais quadradinhos!

 

Qual raio de importância tem a cor do professor? Ser negro, branco, verde com listas lilás, fará alguma diferença na qualidade (ou não) daquilo que ensina? Sei que não – mas o patrulhamento da barbárie crê que sim. Já vislumbro, num futuro não tão distante assim (dou dois anos, com otimismo, para que isso aconteça), as tais reservas de vagas para negros nas cátedras universitárias, seguindo o modelo das cotas para negros dentre os alunos. Vejo que não importará mais a qualidade, que independe da cor do professor, mas apenas a obrigação de se cumprir uma ordem racista, gerando uma discriminação ainda maior. Pois que é discriminação, é racismo, é estúpido tentar à força de lei impor um falso padrão social para as pessoas, por mais sofredoras que tenham sido no passado histórico, como é estúpido acreditar que os negros mereçam indenização pelo fato de seus bisavós terem sido escravos. O ranço ideológico atinge as mentes mais despreparadas – e esta a razão de a educação estar abandonada nas mãos desses gênios...

 

Escutei ali no fundo um senhora de aparência elegante perguntando o quê, afinal, respondi na ficha. Fui delicado. Escrevi, em letras garrafais um “NÃO INTERESSA” sutil como são sutis as – não me lembro, no momento, nada que seja tão sutil, a não ser as respostas de outros colegas, de humor melhor que o meu, sempre tão abaixo da linha da tolerância: Azul; eu gosto de verde; queria tanto ser rosa...



Escrito por Fabio às 07h13 PM.

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