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La Nave Va


1. 1. Lembro dos meus 16 anos, doutrinadinho por professores idem. Queria ir ao comício do PT. Fui, pai e mãe ao lado.  1.2. O Lula, então cara de trabalhadô, meio sujo, cercado de gente que eu não sabia quem fosse. 1.3. Hoje sei: Genoínos e Dirceus e Mercadantes e Suplycis da vida. 1.4. Achei o máximo, eu, ali, no Pacaembu, cercado pela Polícia Militar. 1.5. Era no finalzinho do regime, a dita dura que foi, comparado com fidéis e pol-pots e ho-chi-mins da vida – sem contar com os stálins e lênins –, leve. 1.6. Uns foram para o exílio. Outros ficaram e lutaram, ou qualquer coisa próxima a isso. 1.7. Os que lutaram estão aqui, no pudê, por 12 anos: efe-agás-cês e pê-tês, saudações, prontinhos – e continuarão no tal em sua face mais sórdida. 1.8. A esquerda venceu. 1.9. Mas, aos meus 16 anos, não sabia do Terror, não fazia a mínima do número de CEM MILHÕES de mortos, sequer imaginava o sangue derramado por uma ideologia sempre, para sempre, falsa. 1.10. Sim, meus leitores, eu fui um deles. Terrivelmente, um Deles.

2. 1. A saída desse sorvedouro ideológico foi lenta, gradual e irrestrita – 2.2. como a dita, aliás, nos tempos (de quem? Médici? Figueiredo? Não, João “cheiro de cavalo” Figueiredo estava no fim). 2.3. Nos tempos, enfim. 2.4. Olhos demoram a abrir. A mente, lavada a lavanda, permanece embrutecida por anos e nada aceita 2.5. senão o Programa pseudo que vendem. 2.6. Mas abri a fresta e olhei. 2.7. O que vi?

3.1. O Horror reinando, a fome e o controle sobre a 3.2. (como nos anos 30 na Rússia); 3.3. vi, sim, eu vi,  pelotões de fuzilamento,  trabalhos forçados,  filas para o pão e o papel higiênico. 3.4. Vi (pela Mão que me deu o livro a engolir) aqueles que queriam terra abandonados à própria sorte 3.5. – e aqueles que queriam trabalho, pelas ruas pedindo uma moeda. 3.6.  Vi, com estes olhos que a terra, vocês sabem, 3.7. as pilhas de livros queimados e aqueles que defenderam a Causa 3.8. meterem uma bala na têmpora de desilusão, como Maiakovski, ou sumirem sem rastro 3.9. como Bábel.

4. 1. E vi a Besta erguer-se 4.2. e ela tinha sete chifres e sete estrelas na fronte 4.3. e cada estrela tinha cinco pontas e cada ponta tomava uma parte do território e se alastrava. 4.4. E o povo cria nela e idolatrava; 4.5. e cada pobre sucumbia por sua Causa, cada intelectual louvava, cada homem se vendia. 4.6. E vi a Causa da Besta e suas Alianças, vi que a Causa era vã e terrível e que pretendia a destruição. 4.7. E a Besta reinaria por milanos à custa das armas e das dores e dos grilhões; 4.8. e cada arma era vendida aos seus pares e cada dor e cada gota de lágrima era sorvida com prazer e cada grilhão, alimentado com mil almas.  4.9. E ninguém tinha coragem e ninguém pedia nada e todos se calavam de medo.

5.1. Vi a Besta rindo e de seus olhos saírem as chamas que nos consumiam e do seu ânus a lava que afligia. 5.2. E seu riso atormentava os sãos e quem creu nela, antes, pedia perdão. 5.3. Mas o perdão era longínquo e a verdade, morta. 5.4. E vi, vi que os mortos não se ergueram da terra porque estavam proibidos; 5.5. vi que os sábios nada diziam por estarem mortos; 5.5. vi cada palavra surda ser murmurada, mas havia ouvidos escondidos por detrás das portas e bocas que diziam que murmuravam e mãos que agarravam quem as pronunciava e as lançavam para fora do reino da perfeição imaginária.  5.6. E vi o Reino do Terror e da destruição, 5.7. filho da Grande prostituta, da Babilônia rediviva que nos atormentava.  5.8. Milanos, este mundo.

6.1. Mas aos meus 16 anos nada via, nada ouvia. Os livros e leituras eram poucos – 6.2. e cria nas falsas verdades e nas falas promissoras. 6.3. E esquecia do sofrimento possível, apegando-me apenas no agora, na vida do momento, e acreditava no presente de meu futuro.  6.4. Só depois que soube, passados anos tristes e terríveis, que havia uma opção, uma escolha; 6.5. e que havia nos sido dado o Livre-Arbítrio e o poder de dizer não. 6.6.1. Mas 20 anos se passaram e nada consigo fazer. 6.6.2. Apenas escrevo as palavras que me ditam o Livro da Liberdade e 6.6.3. que se espalham, por maiores que sejam as provações – 6.6.4. resta a breve esperança contrita, silenciosa, ampla e plena que nos seduz a cada dia 6.6.5. clamando pela plena Liberdade, contra o Caos que se anuncia e cujo anúncio é grande e sonoro para todos os ouvidos e olhos e bocas sinceras: 6.6.6. Quem quiser ouvir, que ouça.



Escrito por Fabio às 10h20 PM.

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Meu vizinho


Era meu vizinho, quase colado. Como o Ministro Delfim, aliás (que diziam ser bicha louquíssima, mas me calo – não tenho provas e nem quero), e outra meia-dúzia de incensados há tempos, que se mantêm e continuam, todos, tolos, insensatos. No Delfim até que votaria, não fosse o partido e os malufes amados. O Ignácio já não leio – estou velho o suficiente para acreditar que qualquer rascunhador e preenchedor de páginas seja, de verdade, escritor. Loyola é bom, os Exercícios Espirituais lá do século XV (será XVI?), legível, fácil, vero. Brandão – o sebo, caro-caríssimo – ganhou a alcunha, entre os leitores e amantes de livros, de “Brandão o Ladrão”. Fiquemos com Ignácio que soma o Loyola e o Brandão.

 

Não nego: enchi-me de orgulho pelo autógrafo, em uma Bienal, quando tinha meus 16, menos ou mais, anos, no Verde Violentou o Muro, coisa de libertas quae sera tamem anti-soviética e ecologicamente correta. Tenho aqui, guardado, à espera de algo, com letra boa que nada parece com a de um escritor. Aliás, tenho também um Plínio Marcos que não se dignou, na porta do teatro (qual a peça, mesmo?) a escrever a mínima dedicatória no Uma Reportagem Maldita (Querô), acompanhado, na capa da oitava edição, de um adendo, belo e fútil: “Esse romance recebeu o prêmio de melhor de 1976 da Associação dos Críticos de Arte de São Paulo”. Certo, meus leitores vividos em épocas da dita dura: receber um prêmio, assim, em plena, é coisa que não se deixa de lado. Mas. Mas, cara, que coisa de sub-mundo, tal qual a reportagem da Cult do mês, com o Ignácio: o contista do submundo de SP.

 

Submundo é esse que vivemos, dia a dia, agüentando, suportando é melhor, as tolices férreas do (des)governo de lullas & cia. E, sinceramente, não suporto mais os salamaleques a escritores e músicos da tal “resistência” comezinha e facilzinha e chatinha da era milico-direitona. Queria ver, de verdade e em alto e bom som, uma resistência símile à putaria que nos rege hoje. Enfrentar militares e suas torturas parece-me fácil, agora; resistir ao discurso fútil e tolo e vago e ideológico, subliminar, do PT é mais difícil. A resistência inexiste. A tortura física se foi – mas restou outra forma, menos inquisitória, talvez, que se pauta na acusação. Nos idos dos 70 tivemos Bebel que a cidade comeu e Zero (romance que li aos 17, em plena época de leituras marxistas, e amei. Quando o reli aos 29, cansei. Envelhecemos, graças sejam dadas!) – agora? Nada de nada. Loyola Brandão, do mesmo modo que seus companheiros de luta anti-repressão, cala-se. Como, aliás, calamo-nos todos. Ilusória aquela tal resistência, pois todos que fizeram parte da Luta (assim mesmo com Ele Grande) se diminuem e se encolhem em seus cantos e cátedras dizendo “eu fiz, eu fui, eu participei!”. Hoje? Não fazem, não vão, não participam – apenas consentem, alegres e dúbios, com o caos. Loyola não escapa disso.

 

Por mais que afirme, em sua entrevista na já citada revista, não deixar uma página em branco em relação à política atual – mas uma em vermelho, completa – não podemos negar que o que lhe resta é o vácuo. Uma pena. A pena que pagamos por termos, desde tempos passados, uma arte comprometida e engajada com a esquerda.



Escrito por Fabio às 08h57 PM.

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A Culpa é Minha


Sim, totalmente minha. O mensalão? Eu quem paguei. Os dólares na cueca? Meus, cada um deles. Os outros dólares, vindos de Cuba? Um favor que Fidelito fez para mim. Caixa 2? Tenho mais uma sete ou oito para ceder. Invasões de terras? Eu as coordeno – aliás os chefes do eme-esse-tê-salamê-mingüê são meus empregados. O horror de São Paulo, nas mãos do PCC? Marcola é assim comigo, ó, e faz tudo o que eu peço. Tráfico de armas e drogas? De novo eu, que auxilio os militares nas fronteiras e os traficantes nos morros cariocas. Caixa Federal, Banestado, banco disso e daquilo? Podem jogar a culpa em mim, admito tudo. Não funciona o Fome Zero? Claro: eu não quero, não deixo, não dou! A Bolsa-Família não chega onde deve? Pois: sou eu quem desvia o dinheiro para meu bolso! CPMF? Idem, ibidem. Evo roubou nosso óleo? Mea culpa, mea culpa. Chávez faz e desfaz sobre nossas cabeças? Mea maxima culpa! O Lula não sabe de nada? Claro, eu não contei! O filho do Lula lucra aos tubos com seus videogames? Podexá que eu financiei, com prazer. Os deputados não foram cassados? Desarmei a todos – comprei-os antes! Maluf lava dinheiro? Emprestei minha brastemp lá em Cayman. Gil nada faz pela cultura? Claro que não – não deixo, não quero, eu mando! Tomás Bastos defende o crime? Pura sacanagem minha, vocês sabem. Grana das Farc para campanha presidencial? De novo, eu, que fui até o cu-de-judas para mandar os guerrilheiros darem um dinheirinho pelamordeDeus para o Lula se eleger. As crises todas? Sim, sim, estão todos certos: sou EU quem está por trás da canalha. Eles, todos, desde a esquerda até a pseudo-direita deste País, são inocentes. INOCENTES, juro! A culpa é minha.

 

Isso o que percebi e reconheço a cada dia, pelo discurso do Governo Federal e do Lembo Lambido Lento do Limbo. Senão, vejamos: Lula é negão, como negão é o Lembo; mais negões são Dirceu e Tomás Bastos; negãozíssimo Mercadante, negríssima Marta Suplicy (seu ex-marido está mais para multao-escuro); Gilberto-Gil é negão-negão-negão, igualzinho à Benedita da Silva; Heloísa Helena só não é mais negona por ser pequenininha; Garotinho, nosso candidato a faquir, é negão; Rosinha, negona que-não-se-cheira; Duda Mendonça apenas um negão que não se reconhece, como Marcos Valério é um negão até o último fio de cabelo. Não pára por aqui, não senhores! Crivella é o típico negão carioca, idêntico a Chico Buarque, aliás; os Paralamas do Sucesso, que eram branquinhos quando fizeram a música “Lula e os 300 Picaretas”, viraram, todos, negões daqueles. Enéas – nunca notaram? – e negrão até as tripas. Todos meus conhecidos, por incrível que pareça, são negões. São todos puros de raça & sangue & cor. Minha esposa, afro-ítalo-luso-índio-e-sei-lá-mais-quantas, não passa de uma traidora por não assumir sua, dela, negritude e sair pelas ruas cantando “mamãe áfrica, a minha mãe é mãe solteira”, escrita por um outro negão-negãozíssimo – mas está inocentada por seus 0,75% de sangue – NEGÃO! A culpa é, óbvio, minha.

 

Não me resta senão reconhecer este crime: fazer parte da elite-branca tão apregoada por aí (e aqui também). Minha família é, 100%, caucasiana: semi-polaca-semi russa (um tantinho de ucraniano no meio, mas dá no mesmo); não agüento batuques e afins que mais me parecem dança-da-chuva do que música; candomblé, para mim, é coisa de tribo; quero que o pró-uni-duni-tê se exploda junto com seus criadores; consciência negra, ao meu ver, é o mesmo que consciência pesada; moda afro é algo como sair fantasiado de zebra no carnaval; brasilidade me dá urticárias, como bahianidade me leva ao colapso nervoso; a mentalidade politicamente correta me dá vontade de disparar incontroláveis palavrões ad aeternum; “resgatar nossas raízes” não passa do ato de desenterrar mandioca. Fosse eu outra coisa, teria o título de doutor honoris-causa em qualquer babaquice esquizofrênica...

 

Resta-me uma conclusão: para mim, a situação tá preta!



Escrito por Fabio às 06h47 PM.

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Assusta-me,


efetivamente, a política brasileira. Melhor: a política desta latino-américa que tem se voltado, radical, à esquerda, com seu discurso ultra-nacionalista. Habermas, em uma entrevista (que infelizmente perdi no amontoado de papéis que me cerca aqui em casa), disse que há de se tomar cuidado com os novos governos de esquerda nos países que passaram por ditaduras de direita entre os anos 60 e 80 – tenderiam a ser piores, mais radicais, mais fechados, mais cínicos e violentos. Não duvido. Vindo, como vem, a opinião, de um marxista reconhecido, o cuidado deve ser redobrado.

 

Assusta-me, inda mais, o vulto que toma Venezuelas e Colômbias, com seus Evos e Chávez que tudo trancam e a todos provocam com medidas estúpidas (e, temerosamente, populares); o susto transforma-se em medo quando Chávez “financia”, em seu país, cirurgias de catarata para brasileños, sem ao menos ter uma aprovação do nosso (des)governo, como se não tivéssemos, nós, tupiniquins, uma das melhores medicinas (no que tange à catarata, ao menos isso) que possibilita cirurgia de graça. O medo transforma-se em horror verdadeiro ao ouvir Fidel propondo uma espécie União Econômica latrino-americana para concorrer com a Alca. O horror altera-se para desespero ao ver que LuLLa vence em primeiro turno qualquer adversário... Onde chegaremos?

 

Cá entre nós, creio que já chegamos. A estupidez grassa, depois de anos e anos de propaganda de esquerda, depois de décadas de discursos de ação afirmativa, depois de toda a pilhagem que chega à propriedade – sendo os fazendeiros os vilões e os terroristas do eme-esse-tê os mocinhos da história. Chegamos à esquizofrenia. Quando olhamos para as Américas, percebemos que a realidade é aquela que pretendem nos empurrar goela abaixo, uma realidade rosácea e bela, onde todos são iguais e cuja defesa pela paz é qualquer coisa sorridente e leve e lindo-lindo. Venezuela, Brasil, Colômbia, Cuba formam uma espécie de Paraíso. Um Paraíso às avessas onde o que vale é essa imagem espelhada dos nossos desejos. E a Verdade – bem, ela vai muito bem, obrigado, definhando num cantinho escuro e úmido em nossas mentes.



Escrito por Fabio às 03h00 PM.

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